Capítulo 9 – Tribos Africanas Isoladas e Modernizadas

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Capítulo 9
Tribos Africanas Isoladas e Modernizadas

A África foi o último dos grandes continentes a ser invadido e explorado pela nossa civilização moderna. Ela tem uma das maiores populações nativas que ainda vivem de acordo com as tradições herdadas. Consequentemente, ela fornece um campo particularmente favorável para estudar grupos raciais primitivos.

Este estudo de grupos raciais primitivos, com exceção de alguns grupos índios, esteve em grande parte ligado a pessoas vivendo em condições físicas bem diferentes daquelas obtidas na área central de um grande continente.

Frutos do mar estão ao alcance dos habitantes de ilhas e regiões costeiras independente de latitude. Os habitantes do interior de um continente, entretanto, não tem acesso a suprimentos abundantes das várias formas de vida animal do mar. Foi importante, assim, no interesse dos habitantes dos Estados Unidos, Canadá, Europa e de outros grandes interiores continentais, estudar pessoas primitivas vivendo em ambientes similares aos seus. A África é um dos poucos continentes que podem fornecer tanto condições de vida primitiva quanto de vida moderna nas planícies e área de planalto do interior. O grande planalto da África oriental e central nutriu uma certa quantidade de tribos com físico excelente e muita sabedoria acumulada. Nós estamos interessados em saber como eles conseguiram isto e se eles ou qualquer outra pessoa pode sobreviver naquele ambiente após adotar as fórmulas da nossa civilização moderna. Considerando que o flagelo mais universal da civilização moderna é a cárie dentária, embora ela seja somente um dos muitos processos degenerativos, é importante que estudemos essas pessoas para registrar como elas resolveram os grandes problemas de viver em um ambiente tão severo e disciplinador quanto o fornecido pela África.

Isto foi feito durante o verão de 1935. Nossa rota nos levou através do Mar Vermelho e descendo o Oceano Índico para entrar no continente africano em Mombasa abaixo do equador e então através do Kenya e Uganda para dentro do Congo Belga oriental e a partir dali aproximadamente 4.000 milhas (6.437 km) descendo a grande extensão do Nilo através do Sudão até a moderna civilização do Egito. Esta jornada cobriu a maior parte da área ao redor da Etiópia e tivemos contato com vários dos grupos raciais mais primitivos daquela região. Essas pessoas são, consequentemente, vizinhos dos abissínios ou etíopes. Já que as várias tribos falam línguas diferentes e estão sob governos diferentes, foi necessário organizar nosso safari em conjunto com os oficiais dos governos locais nos diferentes distritos.

Durante essas jornadas na África, que cobriram aproximadamente 6.000 milhas (9.656 km), nós entramos em contato com aproximadamente 30 tribos diferentes. Aos alimentos foi dada especial atenção, amostras foram obtidas para análises químicas. Mais de 2.500 negativos foram tirados e revelados no campo. Se alguma impressão das nossas experiências tivesse de ser selecionada como particularmente vívida, seria o contraste entre a saúde e robustez dos primitivos em geral com aquela dos estrangeiros que entraram em seu país. Que a robustez superior deles não era racial se tornou evidente quando, pelo contato com as civilizações modernas, processos degenerativos se desenvolviam. Muitos poucos dos muitos europeus com os quais tivemos contato viveram na África central por até 2 anos sem doenças sérias ou evidência distinta de estresse físico. Que a causa não era a severidade do clima, mas algo relacionado ao modo de vida logo ficou aparente. Em todos os distritos, era sabido e esperado que os estrangeiros fizessem planos para passar um pedaço de cada ano ou de cada poucos anos longe daquele ambiente para se manter bem. Era geralmente esperado que crianças nascidas de europeus naquela região passassem vários de seus anos de crescimento na Europa ou América se fosse para eles desenvolverem corpos relativamente normais.

 Uma condição árdua do ambiente que nós encontramos foi a exposição constante a doenças. Epidemias de disenteria eram tão frequentes e severas que nós raramente nos permitíamos comer alguma comida que não tivesse sido cozida ou que não tivesse sido descascada por nós mesmos. No geral, era necessário ferver toda a água de beber. Nós não ousávamos permitir que nossos pés nus tocassem um chão de terra por medo do bicho-de-pé, que entra pela pele do pé. Muito raramente, quando abaixo de 6.000 pés (1,8 km), estávamos a salvo após o pôr do sol para sair de trás de um mosquiteiro ou sair de casa sem uma proteção completa contra os insetos da malária. Esses mosquitos da malária, que incluem várias variedades, são em grande parte noturnos. Acreditava-se que eles saíam logo após o pôr do sol. Nós fomos avisados que os lugares com maior perigo de se infectar eram os refeitórios públicos, já que os mosquitos se escondiam sob as mesas e atacavam os calcanhares de quem comia caso estes não estivesses adequadamente protegidos. Nós seguimos rigidamente as precauções de providenciar proteção adequada contra essas pestes. Carrapatos portadores de doenças eram tão abundantes na grama e nos arbustos que nós tínhamos que ficar constantemente alertas para removê-los de nossas roupas antes que eles se enterrassem em nossa pele. Eles eram, frequentemente, portadores de febres muito severas. Nós tínhamos que tomar muito cuidado para não tocar nas peles com as quais os nativos protegiam seus corpos do frio da noite e do sol do dia sem uma esterilização completa após qualquer contato. Havia um grande perigo nos piolhos que infectavam o pelo das peles. Nós não ousávamos entrar em vários distritos devido à temida mosca tsé-tsé e a doença do sono que ela carrega. É de se impressionar a aparente saúde dos nativos até que se aprende da imunidade única que eles desenvolveram e que é em grande parte transmitida aos descendentes. Em vários distritos nos foi dito que praticamente todo nativo vivo teve febre do tifo e era imune, embora os piolhos de seus corpos pudessem transmitir a doença. É de impressionar também como pessoas com tal resistência a doenças não são capazes de combater as doenças degenerativas da civilização moderna. Quando eles adotam a civilização moderna, eles se tornam susceptíveis a vários de nossos processos degenerativos modernos, incluindo cárie dentária.

Dr. Anderson, que está no comando de um hospital governamental esplêndido no Kenya, me garantiu que em vários anos de serviço entre os primitivos daquele distrito, ele observou que eles não sofriam de apendicite, problemas da vesícula biliar, cistite e úlcera duodenal. Malignidade também era muito rara entre os primitivos.

É de grande importância saber que nós estudamos seis tribos nas quais parecia não haver um único dente atacado por cáries nem uma única arcada dentária mal formada. Várias outras tribos foram encontradas com quase completa imunidade a cárie dentária. Em treze tribos nós não encontramos um único indivíduo com dentes irregulares. Onde os membros dessas mesmas tribos adotaram a civilização moderna, foram encontrados muitos casos de cáries. Na geração seguinte à adoção da alimentação européia, deformidades da arcada dentária frequentemente se desenvolviam.

Nós estamos interessados em conhecer algo da origem dessas pessoas incluindo os etíopes e até que ponto a ancestralidade racial os protegeu. Se recorrermos a um mapa etnográfico de raças africanas, descobrimos que há evidência de um grande movimento em direção norte vindo da África do Sul. Essas pessoas tinham algumas coisas em comum com os melanésios e polinésios do Pacífico Sul, os quais nós estudamos no ano anterior. Suas línguas carregam algumas palavras de significado similar. Apesar de haverem muitas tribos existindo hoje, é de importância saber que cada uma delas possui algumas características identificadoras de língua, vestimentas e hábitos alimentares. Outro grande movimento racial aparentemente se moveu em direção sul vindo do norte da África. Essas tribos são de origem hamítica e incluem tribos nilóticas e abissínias. As tribos nilóticas têm padrão físico e modo de vida distintos. Esses grandes movimentos raciais se encontraram na região do Nilo superior da África oriental próxima ao equador e iam e vinham em sucessivas destruições e incorporações das tribos menos fortes. A raça negra ocupou uma área que cruza a África do oeste ao centro da África. Eles foram expostos às agressões e opressões desses dois grandes movimentos raciais, resultando frequentemente em miscigenação de várias proporções de raças. A raça semítica, principalmente os árabes, ocuparam a Arábia e uma grande área no norte da África.

Nesta visão geral nós estamos observando mudanças que estiveram em progresso por muitas centenas ou milhares de anos. Os árabes foram os principais negociantes de escravos inseridos na costa leste da África. Eles mantiveram sua individualidade sem muita mistura exceto na costa. Eles não se tornaram uma parte importante do grupo nativo do interior. Esses grupos nativos primitivos podem ser em grande parte identificados na base de seus hábitos e modo de vida. As tribos nilóticas têm sido principalmente de pastores de gado e cabras e têm vivido primariamente de laticínios, incluindo leite e sangue, com alguma carne e com uma porcentagem variável de alimentos vegetais. É do maior interesse observar que em todos os casos, esses criadores de gado dominaram as tribos vizinhas. Eles eram caracterizados pelo excelente desenvolvimento físico, grande bravura e uma acuidade mental que tornou possível a eles dominar outros devido à sua inteligência superior. Dentre essas tribos nilóticas, os masai forçaram seu caminho o mais distante ao sul e ocuparam uma posição entre duas das grandes tribos bantu, os kikuyu e os wakamba. Essas duas últimas tribos são primariamente de agricultores.

Tribo Masai. Os masai são altos e fortes. A Fig. 39 mostra uma bela garota típica, além de um homem masai que é muito mais alto do que o nosso guia de seis pés (1,83 m). É interessante estudar os modos de vida e observar a sabedoria acumulada dos masai. É relatado que eles sabiam há mais de duzentos anos que a malária era transmitida por mosquitos, e mais, eles praticavam a exposição dos membros de suas tribos que haviam sido infectados com sífilis pelos árabes à malária para prevenir os danos sérios resultantes da infecção por espiroquetas. Ainda assim, a medicina moderna se gabe de ter sido a descobridora deste grande principio de utilizar a malária para prevenir ou aliviar infecções sifílíticas da medula espinhal e do cérebro.

Figura 39. Estes membros da tribo masai ilustram a esplêndida nutrição fornecida pela dieta de produtos do gado, a saber: carne, leite e sangue. O chefe ao lado do nosso guia passa muito dos seis pés (1,83 m). Esta bela masai veste as decorações costumeiras de colares de fio de cobre, braceletes e tornozeleiras, que constituem em grande parte a vestimenta das garotas.

Eu vi os nativos masai cuidando de seu gado com habilidade e conhecimento. Os masai não têm moeda e todas as suas transações são feitas com vacas ou cabras. Uma valiosa vaca não estava comendo direito e eu observei eles tirarem um espinho de dentro de sua boca. A operação cirúrgica foi feita com uma faca que eles mesmos fizeram e temperaram por martelamento. A ferida foi tratada esfregando-a com cinzas de uma planta que agiu como um poderoso anti-hemorrágico. Seu conhecimento de ciência veterinária é bastante notável. Eu os vi tratando uma jovem vaca que falhou em conceber. Eles aparentemente sabiam a causa e passaram a tratar ela como veterinários modernos fariam de modo a superar suas dificuldades. Como alimento através dos séculos, eles dependeram muito amplamente de leite, carne e sangue, reforçado com vegetais e frutas. Eles ordenham suas vacas diariamente e sangram os bois em intervalos regulares com um processo único. Na Fig. 40 nós vemos um nativo masai com seu arco e flecha, esta última com uma lâmina afiada na ponta e limitada por uma proteção para determinar a profundidade até a qual a flecha pode entrar na veia. Se o animal for suficientemente dócil, o sangue pode ser retirado com ele em pé. Se o animal estiver assustado, ele é rapidamente amarrado como mostrado embaixo. Nesta figura o fluxo de sangue pode ser visto jorrando da veia jugular em um jarro que comporta aproximadamente um galão (3,8 litros). Uma cinta é colocada ao redor do pescoço antes que a perfuração seja feita. Os animais nem se mexem quando atingidos pela flecha, a operação é feita muito rápida e habilidosamente. Quando sangue suficiente era drenado, a cinta era removida e o sangue imediatamente parava de fluir. Um anti-hemorrágico feito de cinzas, comentado acima, era utilizado. Isto servia também para proteger a ferida de infecção. O sangue é desfibrinado por agitação no jarro. A fibrina é cozida tal qual bacon ou carne seria preparado. O sangue defibrinado é usado cru tal qual leite, exceto que em quantidades menores. Quando disponível, cada criança em crescimento recebe uma ração diária de sangue assim como cada mulher grávida ou lactante. Antigamente os guerreiros usavam este alimento exclusivamente. Essas três fontes, leite, sangue e carne fornecem a eles um suprimento abundante de minerais que constroem o corpo e de vitaminas especiais tanto liposolúveis quanto hidrosolúveis. A avaliação deles de um rebanho leiteiro desejável é baseado na qualidade e não na quantidade. Eles julgam o valor de uma vaca a ser mantida no rebanho pelo tempo que leva para o bezerro dela ficar de pé e correr após o nascimento, o que é de somente uns poucos minutos. Isto é de contraste direto com a prática de nossos leiteiros modernos, que estão preocupados principalmente com a quantidade de leite e a quantidade de manteiga em vez de estar com o valor deles como fonte de fatores especiais para nutrição. Muitos dos bezerros das vacas de alta produção modernas dos países civilizados não são capazes de ficar de pé por muitas horas após o nascimento, frequentemente vinte e quatro horas. Esta habilidade de ficar de pé é muito importante em um país infestado de predadores como leões, leopardos, hienas, chacais e abutres.

Figura 40. Uma importante fonte de vitaminas liposolúveis durante o período de seca é o sangue dos bois que é drenado a cada trinta dias. Em cima é mostrada a flecha com ponta de lança sendo disparada na veia do pescoço. Se o animal for selvagem, ele é amarrado como visto embaixo onde o fluxo de sangue é visto jorrando no jarro. O fluxo cessa quando a compressa é removida.

Isto me lembra de minha experiência no Alasca estudando as renas dos esquimós. Foi-me dito que um filhote de rena poderia ser solto em um pé (30 cm) de neve e quase imediatamente ele correria com tal velocidade que os predadores, incluindo lobos, não conseguiriam pegá-lo. E mais, que esses filhotes vão, quase imediatamente após o nascimento, com a manada em uma debandada e nunca são derrubados.

O problema de combater os predadores, em especial os leões, pede por uma maior habilidade e bravura do que a necessária por outras tribos da África. Os leões vivem dos grandes animais que pastam, em especial do gado, do qual eles escolhem o mais forte. Ao dirigir pela savana nós frequentemente víamos um ou dois homens ou garotos guardando um rebanho inteiro somente com suas lanças. A habilidade deles em matar um leão com uma lança é um das realizações humanas mais extraordinárias. Eu fiquei muito interessado em saber que eles preferem muito mais suas lanças feitas localmente do que as manufaturadas fora e trazidas, devido à certeza deles de que elas não vão quebrar, vão suportar um endireitamento independente do quanto elas forem dobradas e porque devido ao processo de manufatura vão ter a extremidade muito afiada.

Em uma ocasião, após termos sido mantidos acordados a maior parte da noite pelo rugido dos leões e zurro das zebras que estavam sendo atacadas pelos leões, nós visitamos uma manyata masai próxima pela manhã e descobrimos que quando eles deixaram seu gado e cabras sair do curral de espinhos de acácia, três ou quatro lanceiros foram a frente em busca de leões que pudessem estar esperando para encurrala o gado. Eles aparentemente não tinham o menor medo. Os leões evidentemente haviam feito uma vítima por perto. Isto os nativos determinaram pelo número de chacais.

O coração e coragem destas pessoas têm sido em grande parte destruídos pela ação do governo de retirar seus escudos de modo a impedir que eles saqueiem as tribos nativas vizinhas próximas como no passado. Eles dependem de seus escudos para os proteger das flechas de outras tribos. Os esforços de transformar os masai em agricultores não são promissores.

Em uma típica manyata, o chefe tem várias esposas. Cada uma tem uma habitação separada. Madeira e arbustos são tão escassos nesta vizinhança que as habitações são construídas de barro com estrume de vaca, o qual é aplicado sobre uma armação de galhos. Muitos chefes têm mais de seis pés (1,83 m) de altura.

Os masai vivem em uma reserva animal muito extensa na qual centenas de milhares de animais de pasto gozam de uma existência protegida do homem, já que mesmo aos nativos não é permitido matar os animais como antigamente. Eles pareciam estar preservados para os numerosos leões, os quais ocasionalmente se tornam muito ousados já que eles têm uma abundância de comida e nenhum inimigo. Recentemente as autoridades governamentais locais acharam necessário atirar em oitenta dos leões em um distrito particular devido à agressividade deles.

Na tribo masai, um estudo de 2.516 dentes em oitenta e oito indivíduos distribuídos por várias manyatas distantemente separadas mostrou somente quatro indivíduos com cáries. Estes tinham um total de dez dentes cariados, ou seja, somente 0,4 % dos dentes atacados por cáries.

Tribo Kikuyu, Kiambu, Kenya. Em contraste com os masai, a tribo kikuyu, que habita um distrito a oeste e norte dos masai, são caracterizados por serem primariamente um povo agricultor. Seus principais itens de alimentação são batata doce, milho, feijões, além de alguma banana, millet e milho kafir, uma variedade de indian millet. As mulheres utilizam dietas especiais durante a gravidez e a lactação. As garotas nesta tribo, como em muitas outras, são colocadas em uma dieta especial por seis meses antes do casamento. Elas amamentas suas crianças por três colheitas e precedem cada gravidez com alimentos especiais.

Os kikuyus não são tão altos quanto os masai e fisicamente são muito menos robustos. Como muitas das tribos da África central, eles removem seus incisivos inferiores quando esses dentes permanentes erupcionam. É dito que este costume foi estabelecido com o propósito de alimentar indivíduos em caso de travamento da mandíbula. Um dos costumes tribais marcantes é o de realizar grandes furos nas orelhas, nas quais eles carregam muitos ornamentos de metal. Uma mulher kikuyu típica é vista na Fig. 41 (em cima, à direita). Homens típicos kikuyu também são vistos na Fig. 41. Note seus belos dentes e arcadas dentárias.

Um estudo de 1.041 dentes em trinta e três indivíduos mostrou cinquenta e sete dentes com cáries, ou seja, 5,5 %. Estes foram 36,4 % dos indivíduos afetados.

Muito do território ocupado pelas tribos kikuyu eram antes florestas. Sua prática tem sido de queimar uma seção da floresta para conseguir novas terras para plantar. Assim que a fertilidade virgem é exaurida, o que é comum em três a cinco anos, eles queimam outra seção da floresta. Com este processo eles desnudaram em grande parte sua seção do Kenya da sua madeira. Isto resultou em um grande desperdício de material de construção. Existem poucos locais de floresta nativa de fácil alcance por transporte.

Tribo Wakamba, Kenya. A tribo wakamba afia seus dentes como visto na Fig. 41. Eles ocupam o território a leste dos masai, que nos séculos passados se fizeram de divisão entre as tribos kikuyu e wakamba. Os masai, até que detidos, mantinham guerras implacáveis, consistindo em grande parte de ataques nos quais eles massacravam os homens, carregavam as mulheres e crianças e espantavam o gado e cabras. Os wakamba são intelectualmente superiores aos kikuyus e têm habilidades artísticas distintas ao esculpir objetos de arte. Eles são mecânicos e gostam de maquinário. Muitos deles têm posições importantes nos estabelecimentos da ferrovia do Kenya e Uganda.

Figura 41. O desenvolvimento dos rostos e arcadas dentárias em muitas tribos africanas é soberbo. A garota em cima à direita está usando vários brincos no lobo de cada orelha. Os wakamba afiam os dentes como visto embaixo. Isto não causa cárie enquanto eles vivem de seus alimentos nativos.

Um exame dos 1.112 dentes de trinta e sete indivíduos mostrou sessenta e nove dentes com cáries, ou seja, 6,2 %. 21,6 % dos indivíduos estudados tinham cáries.

Tribo Jalou, Kenya. Esta tribo ocupa o território ao longo do Lago Vitória e Baía Kisumu. Eles são uma das mais inteligentes e fisicamente excelentes tribos nativas. Eles foram estudados em dois grupos, um em Maseno e o outro em Ogado.

O grupo estudado na Escola Maseno eram garotos variando de dez a vinte e dois anos, totalizando aproximadamente 190 no todo. O diretor da escola apresentou os garotos em formação militar para inspeção. Através dele como intérprete eu pedi que todos os garotos que já tiveram dor de dente levantassem as mãos e dezenove assim fizeram. Dos dezenove, somente um indivíduo apresentou cáries, dois de seus dentes estavam envolvidos, os quais, dos 546 dentes destes indivíduos, dão 0,4 % de dentes com cáries.

Na Missão Ogada um estudo de 258 dentes de dez indivíduos não revelaram dentes afetados com cáries.

Escola Jeannes, Kenya. Esta escola está localizada em Kabete. É uma instituição onde jovens casais casados são treinados em ciência doméstica, agricultura e assuntos similares.

Em 388 dentes de 13 indivíduos, trinta e um dentes haviam sido atacados por cáries, ou seja, 7,9 %. Estes estavam em seis indivíduos.

Escola Missão Pumwani, Kenya. Este é um subúrbio nativo de Nairobi e lá as pessoas haviam estado sob a influência do recente contato europeu.

Em um exame de 588 dentes de vinte e um indivíduos, vinte e seis dentes tinham cáries, ou seja, 4,4 %.

Escola C.M.S., Nukuru, Kenya. As crianças desta escola pertencem a várias tribos, principalmente jalou. Em um estudo de 312 dentes de onze indivíduos, somente um dente havia sido atacado por cárie, ou seja, 0,3 %.

Chewya em Kisumu, Kenya. Os nativos deste distrito pertencem à tribo maragoli. Eles são muito fortes e fisicamente bem desenvolvidos. Eles vivem a um fácil alcance do Lago Vitória, do qual eles obtêm grandes quantidades de peixe, que constitui uma importante parte de sua dieta, junto com cereais e batatas doce.

Um estudo de 552 dentes de dezenove indivíduos revelou somente um dente com cárie, ou seja, 0,2 %.

Tribo Muhima ou Anchola, Uganda. Esta tribo reside no sul de Uganda. Eles, como os masai, são primariamente um povo criador de gado e vivem de leite, sangue e carne. O distrito no qual eles vivem está a leste do Lago Edward e das Montanhas da Lua. Eles constituem um dos grupos muito primitivos e intocados. Enquanto que os masai criam principalmente o gado hump-backed, os rebanhos desta tribo muhima ou anchola são caracterizados pelos seus chifres bem abertos. Como os masai, eles são altos e corajosos. Eles defendem seus rebanhos e suas famílias de leões e leopardos com suas lanças primitivas. Como os outros criadores de gado primitivos, eles dominam as tribos adjacentes.

Em um estudo de 1.040 dentes de trinta e sete indivíduos, nem um único dente foi encontrado com cárie. Esta tribo faz suas cabanas com grama e gravetos.

Tribo Watusi. Esta é uma tribo muito interessante que vive no leste do Lago Kivu, uma das nascentes do Nilo oeste em Ruanda, que é um protetorado da Bélgica. Eles são todos altos e atléticos. Seus rostos diferem notadamente daqueles de outras tribos e eles se gabam de terem uma herança muito nobre. De acordo com a lenda, uma expedição militar romana penetrou na África central na época de Antônio e Cleópatra. Uma falange permaneceu, recusando-se a retornar com a expedição. Eles pegaram esposas das tribos nativas e fizeram leis que dali em diante nenhum casamento poderia ser feito fora de seu grupo. Eles têm físicos magníficos. Muitos passam de seis pés (1,83 m) de altura sem sapatos.

Várias das tribos vizinhas da Etiópia são agricultoras e plantam milho, feijão, millet, batata doce, banana, milho kafir e ouros grãos como seus principais itens de alimentação. Fisicamente eles não são tão bem constituídos quanto as tribos utilizando derivados do leite amplamente ou aquelas utilizando peixe de correntezas ou lagos de água doce. Eles foram dominados por possuírem menos coragem e inteligência.

O governo do Kenya tem, há muitos anos, patrocinado uma competição atlética ente as várias tribos, o teste é um de força para o qual eles usam um cabo-de-guerra. Uma tribo particular tem levado o troféu repetidamente. Esta tribo reside na costa leste do Lago Vitória e vive muito amplamente de peixe. Os membros são poderosos atletas e formidáveis nadadores. É dito que eles não perdem na guerra quando eles conseguem levar a guerra até a água. Um de seus métodos é nadar sob a água até a frota inimiga e fazer rombos para afundar seus barcos. Eles lutam com lanças sob a água com habilidade admirável. Seus físicos são magníficos. Em um grupo de 190 garotos que foram agrupados em uma escola governamental próxima da costa leste do Lago Vitória somente um garoto tinha cárie e dois de seus dentes foram afetados. As pessoas secam os peixes que são carregados muito para o interior.

Uganda, que se localiza ao norte e oeste do Lago Vitória e a oeste do Kenya, é um país alto e embora no equador, tem um clima equitativo com uma abundância de alimentos nativos. São produzidas duas colheitas por ano e muitas variedades de bananas crescem selvagens. A tribo buganda, de Uganda, é a tribo chefe desta região. Uganda é chamada o Jardim do Éden da África devido à sua abundância de alimentos vegetais, principalmente bananas e batatas doces, e devido à sua abundância de peixe de água doce e vida animal. Os nativos são prósperos e mentalmente superiores àqueles da maioria dos outros distritos. Eles têm um rei e um parlamento nativo que o governo britânico reconhece e confia com assuntos administrativos locais. Um grupo típico foi estudado em uma missão em Masaka. Um exame de 664 dentes de vinte e um indivíduos revelou somente três dentes com cáries, ou seja, 0,4 %.

Trabalhadores do Nilo Oeste do Congo Belga. Os Trabalhadores do Nilo Oeste estudados em Masaka representam um grupo muito forte e confiável. Eles vêm de distritos ao norte do Lago Albert no Congo Belga. Eles são muito procurados por empresas industriais e são frequentemente movidos em grupos por distâncias consideráveis.

Um estudo de 984 dentes de trinta e um indivíduos revelou que somente três dentes haviam sido atacados por cáries, ou seja, 0,3 %. Somente um indivíduo tinha cárie.

À medida que se viaja descendo o Nilo Oeste e em seguida ao longo da borda oeste da Etiópia, muitas tribos singulares são encontradas. Um tipo negróide típico da região do Nilo superior é mostrado na Fig. 42. Membros destas tribos vestem pouca ou nenhuma roupa. Eles têm físicos esplêndidos e alta imunidade a cáries.

Figura 42. A recompensa por obedecer às leis de nutrição da natureza é ilustrada nesta tribo do oeste do Nilo no Congo Belga. Note a abertura das arcadas dentárias e as feições precisamente proporcionais. Seus corpos são tão bem construídos quanto suas cabeças. Excessivamente poucos dentes foram atacados por cáries, eles usavam seus alimentos nativos.

Após a confluência do Nilo Branco e Nilo Oeste, o primeiro escoando o Lago Vitória e os lagos de Uganda através de Uganda e o seguinte escoando os Lagos Kivu, Edwards e Albert e Congo Belga leste, o volume de água se movendo em direção norte é muito grande. Uma obstrução singular à navegação se desenvolve devido o fato que o Nilo corre subterrâneo por uma distância considerável. Neste distrito, a vegetação é vigorosa e fértil, incluindo grandes quantidades de plantas aquáticas, as quais formam ilhas que são frequentemente presas à costa. A água carrega grandes quantidades de aluvião, que fornece uma abundância de nutrientes para a vegetação flutuante. Consequentemente, em muitas destas ilhas flutuantes, uma grande quantidade de solo está emaranhada nas raízes das plantas. Em algum período no passado, o rio se tornou passível de ser cruzado no Sudão superior próximo sua borda sul. Com a adição progressiva de novo material, uma grande ponte natural foi elevada, na qual árvores agora estão crescendo e através da qual existem pegadas de elefantes. Isto e mais uma série de corredeiras exigem um desvio de mais de 100 milhas (161 Km).

Os elefantes são tão abundantes neste distrito que tanto em Uganda quanto no Sudão, os governos foram obrigados a enviar caçadores especiais para reduzir as manadas. Em um distrito de Uganda, foi dito que duzentos foram abatidos. Eles são muito destrutivos para as plantações de banana. Eles quebram as bananeiras ou puxam elas pelas raízes e comem o coração suculento bem como as frutas. Em uma noite, uma manada pode destruir uma plantação inteira. As únicas pessoas no distrito que são permitidas matar os elefantes sem licença são os pigmeus. Eles são também os únicos que não necessitam pagar um imposto per capita. Existem muitas tribos deles na grande área de floresta no Congo Belga e Uganda. A habilidade deles com a lança é notável e eles são capazes de matar um elefante enquanto o animal permanece alheio ao perigo. Eles levam um ou dois dias para cortar o tendão de um elefante, trabalhando furtivamente por trás, sempre se mantendo fora da vista do elefante. Embora um elefante possa farejar um humano a uma grande distância, estes pigmeus podem se ocultar tão completamente que o elefante permanece alheio à presença deles. Depois de incapacitá-lo cortando os tendões de ambas as pernas traseiras, eles o atacam abertamente e, enquanto um atrai sua atenção, o outro lenta, mas progressivamente corta fora a tromba dele. Desta maneira ele sangra ate a morte. Eles são particularmente fãs de carne de elefante e um abate significa um grande banquete. Enquanto estávamos em uma das colônias dos pigmeus, dois deles trouxeram as presas de um elefante que eles haviam acabado de matar. Nós tivemos a rara oportunidade de testemunhar a celebração na colônia, a qual incluiu a reprodução especial em pantomima do ataque e método de matar o elefante. A mãe pigmeu destes dois homens é mostrada na Fig. 43 (metade inferior). Pode ser notado que ela é uma cabeça menor que a Sra. Price, que têm 5 pés e 3 polegadas (1,60 m) de altura. Esta robusta, porém pequena, mulher é a mãe de cinco homens crescidos, dois dos quais são mostrados na Fig. 43 com as presas do elefante. Note suas lanças caseiras. Como atiradores com arco e flecha e com armadilhas, esses pigmeus têm uma habilidade incrível. Suas flechas têm pontas de ferro de sua própria manufatura e têm receptáculos para carregar drogas, que eles extraem de plantas. Essas drogas paralisam temporariamente os animais. Para animais que eles querem eliminar, as flechas carregam um veneno que rapidamente produz a morte. A vida na casa dos pigmeus na floresta é, frequentemente, cheia de perigos. Pouco antes de nossa chegada, dois bebês haviam sido levados por um leopardo. Este furtivo ladrão noturno é um dos animais mais difíceis de combater e, provavelmente, tem sido uma das razões dos pigmeus construírem cabanas nas árvores. Ordinariamente, suas casas são construídas no chão em uma pequena clareira na grande floresta. Elas consistem de abrigos baixos cobertos com folhas de bananas e outras plantas, construídas sobre uma armação. O missionário nativo distribuiu nosso presente de sal, que é um de seus presentes mais apreciados. Eles se puseram a dançar para nós.

Figura 43. Os pigmeus do Congo Belga são exímios caçadores. Os dois jovens homens no centro acima mataram sem ajuda um grande elefante macho cujas presas eles estão segurando. As lanças utilizadas são mostradas. Eles são dois dos cinco filhos crescidos desta mãe pigmeu situada próximo à Sra. Price na figura inferior. Seus dentes são excelentes e seu conhecimento de alimentos único.

Pigmeus, Floresta Ituru, Congo Belga. É dito que essas pessoas originalmente viviam nas árvores e eles eram excessivamente tímidos e difíceis de contatar. Nós fomos levados a várias de suas vilas no coração da densa floresta Ituru. Nós os encontramos muito bem dispostos devido à confiança que foi estabelecida com os trabalhadores missionários. Sua timidez, entretanto, junto com a dificuldade de fazê-los entender com duas traduções de línguas, tornou um exame de seus dentes muito difícil.

Um estudo de 352 dentes de doze indivíduos revelou que oito dentes haviam sido atacados por cáries, ou seja, 2,2 %.

As tribos nativas da África têm dependido em grande parte de peixe de água doce dos numerosos lagos e rios para obter certos fatores alimentares essenciais deles. Após serem secados no sol, esses peixes são carregados por longas distâncias para o interior. A perca-do-nilo cresce, frequentemente, até um peso de 150 libras (68 Kg). Os nativos da África sabem que certos insetos são muito ricos em valores nutritivos especiais em certas estações e também que seus ovos são alimentos valiosos. Uma mosca que eclode em enormes quantidades no Lago Vitória é recolhida, utilizada fresca e secada para armazenagem. Eles também utilizam formigas e seus ovos.

Missão Nyankunde, Irumu, Congo Belga. Este grupo é formado de membros das tribos bahema, babira, alur e balendu. Nós iremos considerar os representantes destas diferentes tribos coletivamente já que eles vivem em grande parte de uma dieta comum que consiste principalmente de cereais. Somente os bahemas deste grupo têm pequenos rebanhos de gado. Alguns dos outros têm umas poucas cabras. Este distrito é localizado a sudoeste do Lago Albert.

Um estudo de 6.461 dentes de 217 indivíduos revelou 390 dentes com cáries, ou seja, 6 %. 38,7 % dos indivíduos sofreram de cárie.

Missão Bogora, Congo Belga. Esta missão está localizada a oeste do Lago Albert e inclui membros das tribos bahema e balendu. Apesar da tribo bahema originalmente viver muito amplamente de produtos do gado, leite, sangue e carne, neste distrito, os rebanhos eram pequenos e eles estavam utilizando uma quantidade considerável de cereais, principalmente milho e feijões, algumas batatas doce e bananas. Estes últimos eram os alimentos principais das outras tribos, além de leite de cabra.

Um exame de 2.196 dentes de setenta e sete indivíduos revelou 160 dentes com cáries, ou seja, 7,2 %. 53 % dos indivíduos tinham cáries.

Porto Kasenyi, Lago Albert, Congo Belga. Estes nativos eram membros de várias tribos ao redor deste distrito que estavam na maior parte residindo temporariamente como trabalhadores. As pessoas viviam em grande parte de uma alimentação de cereais e, agora, durante a sua residência temporária no porto, tinham peixe.

Um exame de 1.940 dentes de sessenta e três indivíduos revelou 120 dentes com cáries, ou seja, 6,1 % dos dentes. 50,8 % dos indivíduos tinham cáries.

Tribo Wanande, Congo Belga. Esta tribo está localizada em Lubero no Congo Belga. Sua alimentação consiste em grande parte de bananas, batatas doce, cereais e leite de cabras.

Em um exame de 368 dentes de treze indivíduos, havia oito dentes com cáries, ou seja, 2,2 %. 15,4 % dos indivíduos estavam afetados.

Tribo Baitu, Nyunge, Ruanda, Protetorado Belga. Este distrito se localiza ao sul de Uganda e leste do Congo Belga propriamente dito, noroeste de Tanganyika. Ele se localiza exatamente a leste do Lago Kivu. Quando descobrimos que o Lago Kivu somente foi descoberto em 1894, mesmo ele sendo uma das fontes importantes das águas do Nilo, nós percebemos o primitivismo das pessoas deste e dos distritos adjacentes. Este grupo vive amplamente de derivados do leite do gado e cabras, junto com batatas doce, cereais e bananas.

Em um estudo de 364 dentes de treze indivíduos, não foi encontrado nem um único dente que tivesse sido atacado por cárie.

Equipe Nativa do Hotel em Goma, Congo Belga. Este grupo consistiu dos empregados internos e externos de um hotel turístico no Lago Kivu.

Um exame de 320 dentes de dez indivíduos revelou vinte dentes com cáries, ou seja, 6,3 %. É significativo saber que todos esses dentes cariados estavam na boca de um indivíduo, o cozinheiro. Todos os outros se restringiam e viviam de alimentos nativos. O cozinheiro utilizava alimentos europeus.

Onde os membros das tribos africanas se anexaram a plantações de café e eram abastecidos com alimentos importados de farinha branca, açúcar, arroz polido e bens enlatados, cárie dentária se tornava rampante. Isto é tipicamente ilustrado na Fig. 44.

Figura 44. Onde quer que os africanos tenham adotado os alimentos do comércio moderno, a cárie dentária estava ativa, assim, destruindo grandes quantidades de dentes e causando grande sofrimento. Os casos mostrados aqui são típicos de trabalhadores em plantações que utilizam amplamente alimentos importados.

O Sudão anglo-egípcio tem uma área de, aproximadamente, um terço daquela dos Estados Unidos. Ela é atravessada na sua extensão de sul a norte pelo Nilo. Há várias tribos vivendo ao longo desta grande extensão de água, que são de interesse especial agora devido a grande proximidade deles com a Etiópia. Existem incríveis caçadores e guerreiros entre eles. Ao caçar eles utilizavam quase somente lanças com lâminas longas. As margens do Nilo por quase mil milhas (1.609 Km) neste distrito são cobertas com papiro e outras plantas aquáticas com uma intensidade de várias centenas de metros até uns poucos kilômetros. Atrás desta área, o terreno cresce e fornece pastagem excelente para o gado de pasto. Estas tribos, assim, utilizam leite, sangue e carne do gado e grandes quantidades da vida animal do Rio Nilo. Algumas das tribos são muito altas, particularmente os Neurs. As mulheres têm frequentemente seis pés (1,83 m) ou mais e os homens sete pés (2,13), alguns deles alcançam sete pés e meio (2,29) de altura. Eu estava particularmente interessado nos seus hábitos alimentares tanto devido à sua alta imunidade a cáries, que se aproximava de 100 %, quanto devido ao seu desenvolvimento físico. Eu aprendi que eles têm uma crença que para eles é sua religião, a qual é, que todo homem e mulher tem uma alma que reside no fígado e que o caráter e crescimento físico de um homem depende de quão bem ele alimenta esta alma ao comer os fígados de animais. O fígado é tão sagrado que ele não pode ser tocado por mãos humanas. Ele é, consequentemente, manuseado com suas lanças ou sabres, ou com forquilhas de madeira especialmente preparadas. Ele é comido tanto cru quanto cozido.

Muitas dessas tribos, como os Neurs, não vestem roupas e decoram seus corpos com vários desenhos, alguns deles representando colares de contas produzidos colocando substâncias estranhas sob a pele em uma ordem específica. Eles mantiveram uma guerra particularmente feroz contra os negociantes de escravos árabes que tinham vindo através da costa do Mar Vermelho para carregar as mulheres e crianças. Em distritos isolados, mesmo nestes dias, eles suspeitam dos estrangeiros. Nos foi dito que, em um distrito adjacente à Etiópia, todas as pessoas de pele clara estão em perigo e não podem, em segurança, entrar naquele território sem uma escolta militar.

Terrakeka, Nilo Superior, Sudão. Estas pessoas são altas e vivem em grande parte de peixe e outros animais. Esta parte do Sudão consiste de muitos distritos do grande pântano chamado Sudd. Ele é coberto com papiros abundantes com uma altura de quinze a trinta pés (4,6 a 9,1 m). Esta selva de pântano fértil cresce proliferando uma grande variedade de vida animal tanto grande quanto pequena.

Um exame de 548 dentes de dezoito indivíduos revelou que nem um único dente havia sido atacado por cárie, ou seja, 100 % de imunidade.

Neurs, Malakal, Sudão. Os Neurs em Malakal no Rio Nilo são uma tribo única devido a sua estatura memorável. Muitas das mulheres têm seis pés (1,83 m) de altura e os homens variam de seis a sete pés e meio (2,13 a 2,29 m) de altura. Seu alimento consiste muito amplamente da vida animal do Nilo, derivados do leite, leite e sangue dos rebanhos.

Um estudo de 1.268 dentes de trinta e nove indivíduos revelou somente seis dentes com cáries, ou seja, 0,5 %. Somente três indivíduos tinham cáries, ou seja, 7,7 %.

Dinkas, Jebelein, Sudão. Esta tribo vive no Nilo. Seus membros não são tão altos quanto os Neurs. Eles são fisicamente mais proporcionais e têm mais força. Eles decoram seus corpos profusamente com cicatrizes.

Um exame de 592 dentes de vinte e um indivíduos revelou somente um dente com cárie, ou seja, 0,2 %.

Escolas Árabes em Khartoum e Omdurman, Sudão. Os árabes são os principais ocupantes do território do norte do Sudão. Omdurman, no banco oeste do Nilo Branco, oposta a Khartoum, é a maior cidade puramente árabe do mundo. Ela foi pouco influenciada pela civilização moderna. Khartoum, ao contrário, logo depois do rio a partir de Omdurman e capital do Sudão anglo-egípcio, tem distritos que são tipicamente modernos. Estes incluem os escritórios governamentais e organizações administrativas. A seção árabe de Khartoum tem sido definitivamente influenciada pelo contato com os europeus. Isto tornou possível um estudo comparativo de grupos similares nas duas cidades – Khartoum modernizada e Omdurman primitiva.

Um estudo de 1.284 dentes de cinquenta e dois indivíduos em uma escola árabe em Khartoum revelou que 59 dentes, ou seja, 4,7 %, haviam sido atacados por cáries, ou seja, 44,2 % dos indivíduos estudados.

Em Omdurman, um estudo de 744 dentes em trinta e um indivíduos revelou somente nove dentes que haviam sido atacados por cáries, ou seja, 1,2 %. Neste grupo somente 2, ou seja, 6,4 % dos indivíduos tinham cáries.

Os grupos examinados foram selecionados com a assistência dos oficiais do governo e consistiram dos alunos da série mais alta em duas escolas avançadas nativas, uma em Khartoum e uma em Omdurman.

É de interesse saber que dos dois garotos na escola árabe em Omdurman com cáries, um era o filho de um mercador rico e utilizava alimentos europeus e doces livremente.

Hospital Nativo, Khartoum, Sudão. Os indivíduos estudados nesta instituição eram de áreas bastante remotas distribuídas pelo Sudão. Alguns tiveram que viajar vários dias de camelo para obter a ajuda que o hospital fornecia.

Um estudo de 288 dentes de dez indivíduos revelou que treze haviam sido atacados por cáries, ou seja, 4,5 %.

Escola Ikhlas, Cairo,Egito. Esta é uma escola nativa na qual os indivíduos são comparáveis, em muitos aspectos, àqueles das escolas nativas de Khartoum e Omdurman. Sua alimentação é altamente modernizada por viver em uma cidade moderna.

Um estudo de 2.092 dentes de oitenta e cinco indivíduos revelou que 353 dentes, ou seja, 12,1 % haviam sido atacados por cáries. 75 % dos indivíduos deste grupo tinham cáries.

O número total de dentes examinados nos grupos anteriores foi de 28.438. Deste número, foram descobertos 1.346 com cáries, ou seja, 4,7 %. Isto representa um total de 1.002 indivíduos examinados, dos quais 300 tinham um ou mais dentes cariados ou tinham perdido dentes devido a cáries, perfazendo 29,9 % dos indivíduos com cáries. Deste número total de indivíduos estudados em vinte e sete grupos, havia vários grupos com imunidade praticamente completa a cáries, enquanto que outros grupos tinham incidência relativamente alta da doença.

Deformidade Faciais e da Arcada Dentária. O propósito destes estudos incluiu a obtenção de dados que irão lançar luz também na etiologia das deformidades das arcadas dentárias e rosto, incluindo irregularidades da posição dos dentes.

Uma variação significativa da incidência de irregularidades foi encontrada nas diferentes tribos. Esta variação pôde ser diretamente associada com a alimentação e não com o padrão tribal. A mais baixa porcentagem de irregularidades ocorreu nas tribos vivendo muito amplamente de derivados do leite e vida marinha. Por exemplo, entre os masai vivendo de leite, sangue e carne, somente 3,4 % tinham irregularidades. Entre os Kikuyu e Wakamba, 18,2 e 18,9 % respectivamente tinham irregularidades. Estas pessoas eram em grande parte agricultores vivendo primariamente de alimentos vegetais. Na escola árabe nativa em Omdurman, entre os alunos vivendo quase totalmente de acordo com os costumes nativos de seleção e preparo dos alimentos, 6,4 % tinham irregularidades, enquanto que na escola nativa na modernizada Khartoum 17 % tinham irregularidades. Na escola Ikhlas no Cairo, sob influências modernas, 16,5 % tinham irregularidades. No hospital nativo em Khartoum, 70 % tinham irregularidades. No grupo pigmeu, 33,3 % tinham irregularidades e entre os comedores de grãos do oeste do Nilo, 25,5 % tinham irregularidades. A Escola Jeannes tinha 46,1 % e a Missão Ogada 30 %.

Enquanto que os grupos raciais primitivos da África desenvolviam formatos do rosto e arcada dentária normais com seus alimentos nativos, vários tipos característicos de deformidades frequentemente se desenvolviam nas crianças dos grupos modernizados. Uma das formas mais simples e que corresponde com um padrão de deformidade muito comum nos Estados Unidos envolve o caimento para dentro dos laterais com estreitamento da arcada superior fazendo os incisivos parecerem anormalmente proeminentes e amontoando os caninos fora da linha da arcada. Ilustrações típicas disto são mostradas na Fig. 45. Onde a deficiência nutricional é muito severa, como em Mombasa na costa, mudanças mais severas no formato do rosto são encontradas.

Figura 45. Nas novas gerações, nascidas após os pais terem adotado as alimentações tipicamente modernizadas dos europeus, houve uma mudança significativa no formato do rosto e da arcada dentária dos adolescentes. Note o estreitamento das narinas e das arcadas dentárias e o amontoamento dos dentes nestes quatro jovens típicos.

Dentre os padrões de deformidade, uma falta de desenvolvimento frontal do terço central do rosto ou do terço inferior do rosto apareciam frequentemente nos grupos mais altamente modernizados. Uma ilustração do primeiro caso é visto na Fig. 46 (em cima, à esquerda) e do último caso na Fig. 46 (embaixo, esquerda e direita). Na garota em cima à esquerda, a arcada superior tende a ir completamente para dentro da arcada inferior. Esta garota é da primeira geração, em uma missão em Nairobi, após a adoção dos alimentos modernizados pelos pais.

Figura 46. A natureza distorcida pode apresentar uma certa variedade de padrões de deformidade. Em cima à esquerda, a arcada superior é pequena demais para a inferior e praticamente entra dentro dela. A de cima à direita é estreita com amontoamento dos dentes. Ambos os casos abaixo demonstram um subdesenvolvimento da mandíbula do maxilar inferior.

Um tipo mais extremo e severo de mudança facial envolve um estreitamento anormal com significativa distorção de ambos os arcos superior e inferior. Isto está tipicamente ilustrado na Fig. 47.

Figura 47. Em relação à nossa sociedade, mesmo a primeira geração após a adoção de alimentos modernizados pode apresentar deformidades brutas. Note a protrusão extrema dos dentes superiores com encolhimento do maxilar inferior nas imagens superiores e o significativo estreitamento com alongamento do rosto nas imagens inferiores. O dano não está limitado às estruturas visíveis.

Estas deformidades extremas produzem, frequentemente, expressões faciais que lembram os rostos de alguns macacos. Isto é ilustrado pelos três garotos apresentados com o macaco na Fig. 48.

Figura 48. Um dano muito frequente que aparece nos descendentes após a adoção de alimentos menos eficientes frequentemente envolve uma depressão significativa do terço central do rosto como ilustrado nos três garotos desta imagem. Note a comparação com o rosto do chimpanzé.

Os árabes em vários distritos usam leite de camelo abundantemente. Ele é nutritivo e, em muitos dos países do deserto, constitui o sustento dos nômades por meses em certas épocas. Os árabes primitivos estudados tinham boas arcadas dentárias com muito poucas deformidades. Até mesmo os cavalos montados pelos chefes árabes para mover suas cáfilas de camelos através do deserto são frequente dependentes, algumas vezes por tanto tempo quanto três meses, do leite dos camelos para sua alimentação. Rostos árabes típicos e uma caravana de camelos descansando são mostrados na Fig. 49. As garotas árabes primitivas têm rostos esplendidamente desenvolvidos e belas arcadas dentárias. Sua beleza natural, entretanto, é rapidamente perdida com a modernização, como ilustrado na Fig. 50.

Figura 49. Nos países do quente deserto da Ásia e África, o leite de camelo é um item importante de alimentação humana. Os dentes dos árabes, como ilustrado acima, são excelentes. Grandes áreas não conseguiriam sustentar vida humana sem o camelo e seu leite.

Figura 50. Ambos os garotos e garotas nas colônias modernizadas no Cairo apresentaram padrões de deformidades típicas no rosto e nas arcadas dentárias. A saúde destes grupos não é comparável com aquela daqueles que vivem da dieta nativa. A eficiência reprodutiva nestas gerações está altamente reduzida.

Dr. Hrdlička chamou atenção para o desenvolvimento ocasiona, em vários grupos raciais, de indivíduos que movem-se com os quatro membros em vez de em pé. Eu vi vários indivíduos deste tipo na África correndo por aí tão rápidos quanto cachorros. Eles foram, consequentemente, difíceis de fotografar. Dois são mostrados na Fig. 51.

Figura 51. Estas duas crianças nativas africanas corriam por aí tão rapidamente que foi difícil tirar suas fotos. Nós não os vimos ficar de pé. Eles se comportavam muito como chipanzés domesticados.

Apesar da escravidão do tipo antigo não existir mais nos, assim chamados, países civilizados, em sua nova forma ela é uma realidade muito trágica para muitas pessoas. Os impostos e a nova maneira de viver fazem muitas demandas. Para muitas destas tribos primitivas uma nova vestimenta poderia antes ser obtida todos os dias sem mais trabalho do que cortar uma nova folha de bananeira. Com a nova ordem, eles são requisitados a cobrir seus corpos com roupas. Tecidos de todos os tipos, incluindo o algodão mais pobre, têm que ser importados. Eles têm que pagar um encargo excessivo devido ao custo do longo transporte para bens importados, um encargo que frequentemente excede o custo original nos mercados europeus ou americanos em várias vezes. De modo a pagar seu imposto per capita, eles são frequentemente requisitados a carregar produtos que são utilizados por oficiais do governo, principalmente alimentos, por longas distâncias e durante certa parte de cada ano. Estes alimentos são, frequentemente, aqueles os quais não somente os adultos, mas particularmente as crianças em crescimento ardentemente necessitam para fornecer crescimento e reparo do corpo. Isto naturalmente gerou uma corrente de grave agitação e atrito sob a dominação estrangeira.

À medida que circulamos a Etiópia, encontramos os nativos não somente cientes do que estava acontecendo naquele país de fronteira, mas profundamente preocupados com os resultados. Pelo seu temperamento e atitude simpática com os etíopes oprimidos, não seria surpresa se simpatizantes atravessassem as bordas para aquele país de modo a apoiar os vizinhos arrasados. O problema é, assim, muito maior do que o interesse de algum poder estrangeiro particular. Ele lida diretamente com o futuro curso dos eventos e atitude dos nativos africanos em geral com relação à dominação estrangeira. O nativo africano está não somente atritando com os impostos dos soberanos estrangeiros, mas está consciente de que sua raça se deteriora quando encontra nossa civilização moderna. Eu encontrei-os bem cientes do fato de que aquelas das suas tribos que adotaram os métodos europeus de viver e de comer, não somente desenvolveram cárie dentária rampante, mas outros processos degenerativos.

Em uma das mais eficientemente organizadas escolas missionárias que encontramos na África, o diretor me pediu para ajudar a resolver um problema sério. Ele disse que não havia uma única pergunta tão frequentemente feita a eles pelos garotos nativos em suas escolas do que o porquê das famílias que cresceram nas escolas das missões ou governamentais não serem fisicamente tão fortes quanto as famílias que nunca entraram em contato com as escolas das missões ou governamentais. Estes jovens garotos eram espertos. Eu fui por várias vezes perguntado por eles se eu pensava ou não que os nativos africanos deveriam seguir o caminho do índio americano.

A alegria das pessoas em suas casa e na vida comunitária é, em toda parte, muito evidente. Um prospector de mineração que passou duas décadas estudando os depósitos minerais de Uganda foi citado para mim como tendo dito que se ele pudesse ter o paraíso de sua escolha no qual passar toda a eternidade, ele seria viver em Uganda como os nativos de Uganda viviam antes da civilização moderna chegar até ela.

Apesar das guerras intertribais terem em grande parte cessado, um novo flagelo estava sobre eles, o flagelo que vem com a civilização moderna. Como nos grupos raciais primitivos anteriormente estudados e relatados, nós descobrimos que as forças modernizadoras estavam frequentemente associadas a um aumento muito significativo da taxa de mortalidade sobre a taxa de natalidade. Em alguns distritos da África, uma degeneração significativa está tomando lugar. Geoffrey Gorer, em seu livro “Africa Dances”(1) (“A África Dança”), o qual foi escrito após realizar estudos na África ocidental, discute este problema extensivamente.

Ele cita números dados por Marcel Sauvage(2) em seu artigo sobre a África Equatorial Francesa: “Em 1911, a África Equatorial Francesa tinha vinte milhões de habitantes negros; em 1921, havia sete milhões e meio; em 1931, havia dois milhões e meio”.

Ele afirma em relação à citação: “Estes números foram dados em um artigo conservador francês confiável e não foram refutados”. Major Browne, um alto oficial do Departamento Administrativo do Governo Britânico no Kenya com longa experiência afirma no parágrafo de fechamento de seu livro intitulado “The Vanishing Tribes of Kenya”(3) (“As Tribos Desaparecendo do Kenya”) o seguinte:

-Também deve ser lembrado que as “bênçãos da civilização” não são na prática, de maneira alguma, tão óbvias como algumas pessoas de mente simples gostariam de acreditar. Pode ser dito com certa precisão que dentre as tribos com as quais nós temos lidado que, em sua sociedade não contaminada, não há pobreza, não há prostituição paga, há muito pouca embriaguez séria e há como um todo espantosamente pouco crime; ao mesmo tempo praticamente todos têm suficiente para comer, vestimentas suficientes e uma habitação adequada de acordo com o padrão dos nativos primitivos. De qual comunidade civilizada pode ser dito isto?

Civilizações têm aparecido e sumido não somente através do período de história registrada, mas desde muito antes como evidenciado por achados arqueológicos. Se nós pensarmos no calendário da natureza como um no qual séculos são dias e civilizações são anos, a parte que os eventos atuais desempenham na história de um grande continente como a África podem ser meros acontecimentos.

Este tanto nós sabemos, que por todo o mundo alguns remanescentes de diversos grupos raciais primitivos perseveraram até o dia de hoje, mesmo em ambientes muito severos e somente devido a tal eles puderam estar protegidos.

Em meus estudos destes vários grupos raciais eu descobri que não é o acaso, mas sabedoria acumulada a respeito dos alimentos que está por trás de seu excelente físico e liberdade de nossos processos degenerativos modernos, e mais, que nos vários cantos do mundo, os primitivos sabem muitas das coisas que são essenciais à vida – coisas que nossas civilizações modernas aparentemente não sabem. Estas são as verdades fundamentais da vida, que os colocam em harmonia com a natureza ao obedecerem a suas leis nutricionais. De onde veio esta sabedoria? Houve no passado distante uma civilização mundial que estava mais bem sintonizada com as leis da natureza e esses remanescentes mantiveram o conhecimento? Se esta não é a explicação, deve ser que estes vários grupos raciais primitivos foram capazes, com uma habilidade superior de interpretar causa e efeito para determinar para si mesmos quais alimentos em seus ambientes são melhores para produzir corpos humanos com um máximo de aptidão física e resistência a degenerações.

Raças nativas primitivas da África oriental e central têm em seu estado nativo uma imunidade muito alta a cáries, variando de 0 a menos de 1 % dos dentes afetados em muitas das tribos. Onde estão modernizados, entretanto, a incidência aumenta para 12,1 %.

Em relação a deformidades faciais, treze tribos das vinte e sete estudadas apresentaram um padrão de excelência tão alto que nem um único indivíduo no grupo foi encontrado com arcadas dentárias deformadas.

A alimentação deles variava de acordo com a sua localização, mas sempre fornecia uma quantidade adequada de materiais para construção do corpo e reparos mesmo que muito esforço fosse necessário para obter algum dos fatores alimentares essenciais. Muitas tribos tinham a prática de alimentar as garotas com alimentos especiais por um extenso período antes do casamento. Espaçamento das crianças era obtido com um sistema de várias esposas.

REFERÊNCIAS

1 GORER, G. Africa Dances. N. Y., Knopf, 1935.
2 SAUVAGE, M. Les secrets de l’Afrique Noire. Intransigeant, July-Aug., 1934.
3 BROWNE, G. The Vanishing Tribes of Kenya. London, Seeley Service, 1925.

 

 

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2 respostas a Capítulo 9 – Tribos Africanas Isoladas e Modernizadas

  1. André disse:

    Fantástico o artigo!!!
    Havia lido algo sobre os Masai em artigos do Professor José Luis.
    O difícil é adotarmos esses hábitos hoje.
    Nas grandes cidades, onde conseguir leite cru de vacas alimentadas somente de pasto, ovos de galinhas criadas soltas e sem ração, carne que não possuem antibióticos e na fase final sejam alimentadas com grãos para engorda…
    O governo proíbe o leite cru mas finalmente liberou a Canastra e o Serro de produzirem queijo com leite cru. Alguém ficou doente comendo queijo do Serro ou Canastra?
    Sempre que posso tomo leite cru de produtores confiáveis. Compro escondido. Tive algum problema de saúde? Nos EUA existe um grande movimento a favor do leite cru e manteiga verdadeira.
    Não tenho nada contra o capitalismo (vi alguns leitores criticando o capitalismo). O problema é a forma de conduzir o mesmo. Vide países nórdicos.
    Porque o governo não apoia os pequenos produtores a venderem sua produção certificada diretamente nas cidades? As multinacionais não deixam pq patrocinam TODOS os governos.
    Assim como a África continuamos sendo colonizados pelas multinacionais e seus produtos benéficos a saúde apoiados pelo governo.

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