Carta sobre a Corpulência – Corpulência

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Corpulência

De todos os parasitas que afetam a humanidade, eu não conheço nem posso imaginar nenhum mais penoso do que o da obesidade, e tendo acabado de emergir de uma provação muito longa neste tormento, eu estou desejoso de pôr em circulação meu humilde conhecimento e experiência para ajudar outros sofredores, com a sincera esperança de que possa levar ao mesmo conforto e alegria que eu agora sinto com a extraordinária mudança, que quase pode ser chamada de milagrosa não tivesse ela sido alcançada pelos meios mais simples do senso comum.

A obesidade me parece ser muito pouco entendida ou devidamente avaliada pelos acadêmicos e público em geral, ou aquele teria faz tempo encontrado a causa para uma doença tão lamentável e adotado remédios eficazes, enquanto que este teria poupado seus prazeres imprudentes de comentários e olhares, frequentemente dolorosos na sociedade e, os quais, mesmo na mente mais forte, têm uma tendência triste, mas eu sinceramente confio que este último humilde esforço apresentado possa levar a um exame mais completo do assunto e que os atingidos sintam-se melhores.

Eu tinha somente minha experiência pessoal para oferecer como ponte para investigação pública e para prosseguir com minha narrativa dos fatos, sinceramente esperando que o leitor fosse pacientemente examinar e ponderadamente avaliar, com tolerância por alguma falha de estilo ou expressão e por alguma aparente presunção em publicá-la, os quais eu ainda reforço em mais esta edição.

Eu senti alguma dificuldade ao decidir o melhor e mais apropriado curso de ação. Certa vez eu pensei que o editor do Lancet pudesse gentilmente publicar uma carta minha sobe o assunto, mas uma maior reflexão me fez duvidar se um indivíduo insignificante seria notado sem alguma introdução especial. No número de abril da revista Cornhill Magazine de 1864, eu li com muito interesse um artigo sobre o assunto – definindo razoavelmente bem os efeitos, mas sem oferecer nenhuma cura real ou mesmo uma solução positiva para o problema – “Qual é a Causa da Obesidade?”. Eu fiquei satisfeito com o artigo como um todo, mas contrário a algumas partes e preparei uma carta ao editor da revista oferecendo minha experiência no assunto, mas novamente me ocorreu que um indivíduo desconhecido como eu teria pouca chance de ser notado, assim, eu finalmente resolvi publicar e circular este panfleto, sem nenhuma outra razão, motivo ou expectativa além de um sincero desejo de ajudar aqueles que se encontrem atingidos como eu estive, já que eu estava bem convencido de que a corpulência era remediável. O objetivo que tenho em vista me impele a entrar em detalhes particulares assim como em observações gerais e a retroceder a anos passados de modo a mostrar que eu não poupei esforços nem despesas para realizar o grande fim que é parar e curar a obesidade.

Poucos homens levaram uma vida mais ativa – física e mentalmente – com uma ansiedade por regularidade, precisão e ordem, durante cinquenta anos de uma carreira de negócios, da qual eu me aposentei, de modo que minha corpulência e subsequente obesidade não se achasse negligenciada da atividade física necessária, nem com excessos em comida, bebida ou tentações de algum tipo, exceto que eu incorporei os alimentos simples do pão, leite, manteiga, cerveja, açúcar e batatas mais livremente do que a minha idade natural necessitava e, assim, eu acredito, gerou o parasita, prejudicial ao conforto, se não, realmente à saúde.

Eu não poderia ousar discursar sobre os tecidos estruturais do corpo, nem como eles são mantidos e renovados, já que não tenho mente ou poder para adentrar tais questões, que pertencem apropriadamente às mentes sábias dos acadêmicos. Ninguém da minha família, do lado de nenhum dos pais, teve nenhuma tendência à corpulência e desde jovem idade eu tinha um temor indescritível de tal calamidade, assim, quando eu tinha entre trinta e quarenta anos e descobri a tendência dela chegando em mim, eu consultei um eminente cirurgião, agora já falecido há algum tempo – um bom amigo pessoal – que recomendou aumentar os esforços físicos antes de começar meu trabalho diário usual e que achou o remo um excelente plano. Eu tinha o comando de um bote bom, pesado e seguro, vivia próximo ao rio e adotei a prática por algumas horas no inicio da manhã. É verdade que ganhei vigor muscular, mas com ele veio um apetite imenso, que eu fui compelido a saciar e consequentemente aumentei de peso, até que meu bom velho amigo me aconselhou a abandonar o exercício.

Ele morreu logo em seguida e, como a tendência à corpulência permaneceu, eu consultei outras autoridades altamente ortodoxas (nunca com um consultor inferior), mas tudo em vão. Eu tentei o ar marinho e banhos em várias localidades, acompanhado de muitas caminhadas; tomar litros de laxante e solução de potássio cautelosa e abundantemente; cavalgar cavalos; as águas e climas de Leamington várias vezes, assim como os de Cheltenham e Harrogate frequentemente; eu vivi com seis pence por dia, por assim dizer, de salário, de modo que trabalho manual pudesse ser incorporado; eu não poupei despesas nem trabalho para consultar com as melhores autoridades disponíveis, dando a cada um e a todos um bom tempo para experimentos, sem nenhuma cura permanente, já que o mal ainda crescia gradativamente.

Eu me sinto grato à maioria dos consultores pelos esforços e interesse que eles tiveram pelo meu caso, mas somente a um deles por uma cura efetiva.

Quando um homem corpulento come, bebe e dorme bem, não se queixa de dores e não tem nenhuma doença orgânica particular, o julgamento de homens aptos fica paralisado – pois eu era, de modo geral, informado que a corpulência é um dos resultados naturais da passagem dos anos, de fato, uma das maiores autoridades médicas disponíveis me disse que ele ganhou 1 libra (454 g) de peso por ano desde que ele alcançou a maioridade e ele não se surpreendia com a minha condição, mas aconselhou mais exercícios físicos, banhos de vapor e lavar a cabeça, além do remédio dado. Mesmo assim, o mal ainda crescia e, como o parasita que é a craca em um navio, se ele não destruir a estrutura, ele obstrui seu progresso justo e confortável no caminho da vida.

Eu fui ao cais, talvez vinte vezes em tantos anos, para diminuir a doença e com pouco efeito, nenhum duradouro. Qualquer um tão atingido é frequentemente sujeito a comentários públicos e, embora conscientemente ele se importe pouco, eu creio que nenhum homem lidando com a obesidade possa ser tão insensível aos olhares e comentários dos cruéis e ignorantes em encontros públicos, veículos públicos ou no trânsito comum das ruas; nem ao aborrecimento de procurar um espaço adequado em um encontro público se ele procura entretenimento ou repouso e, assim, ele naturalmente se afasta tanto quanto possível de lugares onde ele possa ser objeto de zombarias e comentários. Eu sou tão indiferente aos comentários públicos quanto a maioria dos homens, mas eu senti essas dificuldades e, consequentemente, evitei tais acomodações descritas e atenção e, fazendo isso, me privei de muitas oportunidades de saúde e conforto.

Embora não tivesse um tamanho ou peso muito grande, eu ainda não conseguia me inclinar para amarrar meus sapatos, por assim dizer, nem cuidar das pequenas tarefas necessárias à humanidade sem considerável dor e dificuldade que só os corpulentos podem entender, eu fui levado a descer escadas lentamente de costas para poupar o impacto do grande peso nas juntas do tornozelo e joelho e obrigado a baforar e suspirar ao menor esforço, particularmente ao de subir escadas. Eu não poupei esforços para curar isto levando uma vida menor (comida moderada e leve era geralmente prescrita, mas eu não tinha uma lista direta ou cardápio para saber o que era realmente pretendido) e isso, consequentemente, levou meu corpo a um estado de pobreza, sem diminuir a corpulência, causou vários furúnculos ofensivos e dois carbúnculos terríveis, dos quais eu fui habilmente operado e nutrido até uma obesidade maior.

Neste ponto (por volta de nove anos atrás) os banhos turcos se tornaram moda e eu fui aconselhado a adotá-los como remédio. Com os primeiros eu descobri um imenso benefício em energia e elasticidade para caminhadas, assim, acreditando ter encontrado a “pedra filosofal”, procurei eles três vezes por semana até que tomei cinquenta, então menos frequentemente (a medida que comecei a imaginar, com alguma razão, que muitos iriam enfraquecer minha constituição) até que tomei noventa, mas não obtive sucesso em perder mais do que 6 libras (2,7 Kg) durante todo o período e desisti do plano como um todo, embora eu tivesse total crença em suas propriedades purificantes e seu valor em resfriados, reumatismo e muitos outros males.

Eu então imaginei se aumentar a obesidade substancialmente afetava uma leve hérnia umbilical, se é que não a causava, e assim, outro mal físico que eu sofria aumentou. Isto me levou a outros consultores médicos, a quem eu também sou grato pela gentil atenção, embora, infelizmente, eles tenham falhado em me proporcionar alívio. Finalmente, percebendo que minha visão estava falhando e minha audição muito debilitada, em agosto de 1862 eu consultei um eminente cirurgião de ouvido, que fez pouco caso, olhou em meus ouvidos, limpou eles internamente, aplicou um vesicante externamente, sem o menor resultado e nem perguntou de nenhum de meus outros males físicos, que ele provavelmente pensou ser desnecessário nem me dando tempo sequer de listá-los.

Eu não estava nem um pouco satisfeito, ao contrário, estava em uma condição pior do que quando fui até ele, entretanto, ele logo teve que deixar a cidade para suas férias anuais, que provou ser a maior benção possível para mim porque me levou a buscar outra ajuda e, felizmente, eu encontrei o homem certo, que sem hesitar disse que acreditava que meus males fossem causados principalmente pela corpulência e prescreveu uma certa dieta – sem remédios, a não ser um tônico matinal como corretivo – com um efeito imenso e vantajoso tanto para minha audição quanto para diminuir minha corpulência.

Pelo bem da argumentação e ilustração, eu irei assumir que certos itens da dieta comum, embora benéficos na juventude sejam prejudiciais em idade avançada, como favas para um cavalo, cujo alimento normal é feno e milho. Pode ser um alimento útil ocasionalmente, em circunstâncias especiais, mas prejudicial se for constante. Eu irei, assim, adotar a analogia e chamar tais alimentos de favas para humanos. Os itens os quais eu fui aconselhado a evitar tanto quanto fosse possível foram: pão, manteiga, leite, açúcar, cerveja e batata, os quais eram os principais (e, eu pensava, inocentes) elementos de minha existência ou, de todo modo, eles foram por muitos anos adotados livremente.

Estes, disse meu excelente consultor, continham amido e sacarídeos, tendiam a criar gordura e deveriam ser evitados totalmente. À primeira vista pareceu que tinha me sobrado pouco do que viver, mas meu bom amigo logo mostrou que havia muito e eu fiquei muito feliz de dar ao plano uma tentativa justa, e, dentro de muitos poucos dias, descobri um imenso benefício nele. O plano alimentar pode ser melhor esclarecido se eu descrever de modo geral o que eu tenho permissão para comer, e um homem deve ser uma pessoa extraordinária para desejar uma mesa melhor:

*Para o café da manhã, às 09:00, eu como quatro ou cinco onças (113 a 142 g) de carne bovina, carneiro, rins, peixe assado, bacon ou de algum tipo de carne de frios exceto porco e vitela; um copo grande de chá ou café (sem leite nem açúcar), um pequeno biscoito ou uma onça (28 gramas) de torrada seca, totalizando seis onças (170 g) de sólidos e nove onças (256 ml) de líquidos.

*Para o almoço, às 14:00, cinco ou seis onças (142 a 170 g) de algum peixe exceto salmão, arenque e enguia, alguma carne exceto porco e vitela, algum vegetal exceto batata, chirívia, beterraba, nabo e cenoura, uma onça (28 g) de torrada seca, pudim de fruta não adoçado, algum tipo de ave ou carne de caça e duas ou três taças de um bom vinho claret, xerez ou madeira – champagne, vinho do porto e cerveja estão proibidos, totalizando 10 a 12 onças (283 a 340 g) de sólidos e 10 onças (284 ml) de líquidos.

*Para o chá, às 18:00, duas ou três onças (57 a 85 g) de fruta cozida, uma ou duas bolachas e uma xícara de chá sem leite nem açúcar, totalizando quatro onças (113 g) de sólidos e nove onças (256 ml) de líquidos.

*Para a janta, às 21:00,  três ou quatro onças (85 a 113 g) de carne ou peixe, semelhante ao almoço, com uma taça ou duas de claret ou xerez com água, totalizando quatro onças (113 g) de sólidos e sete onças (199 ml) de líquidos.

*Para uma bebida antes de dormir, se necessário, um copo da bebida – gin, whisky ou brandy sem açúcar – ou uma taça ou duas de claret ou xerez.

Este plano leva a uma excelente noite de descanço, com seis a oito horas de sono profundo.

Com a torrada seca ou bolacha no café da manhã ou chá, eu geralmente uso uma colher de sopa de bebida alcoólica para amaciar, que poderá ser aceitável para outros. Talvez eu não tenha escapado totalmente de amidos e sacarídeos, mas meticulosamente evitei as favas, tais como leite, açúcar, cerveja, manteiga etc, que era sabido contê-los.

Ao levantar de manhã, eu tomava uma colher de sopa de um tônico corretivo alcalino especial em uma taça de água, uma grata bebida, pois parecia carregar todos os resíduos de acidez que ficavam no estômago após a digestão, ele, após o primeiro ano de uso eu larguei gradativamente e agora raramente uso.

A experiência me ensinou a acreditar que essas favas para humanos são os inimigos mais traiçoeiros que o homem com uma tendência à corpulência em idade avançada pode ter, embora, certamente amigáveis na juventude. Ele pode, muito prudentemente, se proteger contra tal inimigo se ele não se enganar, e eu calorosamente espero que este conto verídico e não enfeitado possa levá-lo a dar uma chance ao meu plano, o qual eu sinceramente recomendo à atenção pública – não com algum motivo ambicioso, mas de uma boa fé sincera para ajudar o próximo a conseguir a maravilhosa bênção que eu encontrei no curto período de alguns meses.

Eu não recomendo que todo homem corpulento corra precipitadamente em tal mudança de dieta, (certamente que não), mas a agir com cautela e após uma consulta completa com um médico.

Minha mesa de refeição anterior era de pão e leite para o café da manhã ou uma pitada de chá com bastante leite e açúcar e torrada amanteigada; carne, cerveja, muito pão (o que eu sempre apreciei muito) e massa para o almoço; a mesa do chá similar à do café da manhã; e geralmente uma torta de fruta ou pão e leite para a janta. Eu tinha pouco conforto e muito menos sono profundo.

Certamente me parece que minha atual mesa de refeição é muito superior à anterior – mais luxuosa e abundante, independente de seus abençoados efeitos – mas, quando se prova que ela é mais saudável, comparações são simplesmente ridículas e eu dificilmente consigo imaginar algum homem, mesmo em perfeita saúde, que escolhesse a antiga mesmo que ela não fosse inimiga; mas, quando ela se mostra ser, como em meu caso, inimigas da saúde e conforto, eu dificilmente posso conceber que haja algum homem que voluntariamente não a evitasse. Eu posso conscientemente afirmar que eu nunca vivi tão bem quanto com este novo plano alimentar, o qual antigamente eu pensaria ser uma ofensa excessiva à saúde; eu estou muitíssimo melhor, física e mentalmente, e satisfeito por acreditar que eu detenho o reino da saúde e do conforto em minhas próprias mãos e embora com setenta e dois anos de idade eu não possa esperar ficar livre de alguma vindoura enfermidade natural que a todos atinja, eu não posso no momento presente reclamar de alguma, embora seis anos mais velho do que quando escrevi minha primeira edição. É simplesmente milagroso, e eu sou grato à Toda Poderosa Providência por me direcionar através de uma mudança extraordinária aos cuidados de um homem que pudesse realizar tal mudança em um tempo tão curto.

Oh! Que os acadêmicos pudessem se aprofundar e se tornar melhor conhecedores do gritante mal da obesidade – este terrível e atormentador parasita da saúde e do conforto. Seus companheiros poderiam não descer a túmulos prematuros, como acredito que muitos o façam, do que se denomina apoplexia e certamente não iriam durante sua jornada na terra, suportar tanta enfermidade física e consequentemente mental.

A corpulência, embora não dê uma dor real (assim me parece), deve naturalmente pressionar com uma violência indevida as vísceras do corpo, levando uma parte sobre a outra e impedindo a livre ação de todas. Estou certo de que foi assim em meu caso particular e o resultado de minha experiência foi resumidamente o seguinte:
-Nos últimos vinte e seis anos, eu não me senti com melhor saúde do que agora.
-Eu não sofri nenhum inconveniente qualquer que fosse na cura experimental ou desde então.
-Eu diminui aproximadamente 33 cm em corpo e 22,7 Kg em peso.
-Posso executar todas tarefas necessárias eu mesmo.
-A hérnia umbilical está curada.
-Minha visão e audição são surpreendentes para a minha idade.
-Meus outros males físicos são história do passado.

Eu entreguei uma expressão de agradecimento de 50 libras nas mãos de meu bom consultor médico para distribuir entre seus hospitais favoritos, após alegremente pagar suas taxas usuais e ainda permaneço imensamente agradecido pelo seu cuidado e atenção, que eu nunca poderei retribuir. Estou muito agradecido à Toda Poderosa Providência pela graça recebida e determinado a levar o caso à atenção pública como sinal de gratidão.

Eu estou completamente convencido de que milhares de nossos companheiros possam se beneficiar igualmente de uma orientação similar à minha; mas, as constituições físicas não sendo todas iguais, um curso de tratamento diferente pode ser aconselhado para a remoção de tal tormento.

Meu bom e valoroso conselheiro médico não é um doutor em obesidade, mas está no auge da fama para o tratamento de outro mal, o qual como ele bem sabe, é frequentemente induzido pela doença da qual eu falo e eu muito sinceramente acredito que meus amigos corpulentos (e existem milhares de pessoas corpulentas que eu não ouso classificar assim) possam ser encaminhados ao meu percurso.

As reais reduções graduais de meu peso, que tenho disponíveis, podem ser de interesse para muitos, eu tenho grande prazer em informá-las, acreditando que sirvam para demonstrar ainda mais o mérito do programa procurado.

Meu peso em 26 de agosto de 1862 era de 202 libras (91,6 Kg).

Em 7 de setembro, era de 200 libras (90,7 Kg), tendo perdido 2 libras (0,9 Kg).
27 de setembro…                 197 libras (89,4 Kg)…             3 libras (1,4 Kg) mais.
19 de outubro…                    193 libras (87,5 Kg)…             4 libras (1,8 Kg)…
9 de novembro…                 190 libras (86,2 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
3 de dezembro…                  187 libras (84,8 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
24 de dezembro…                184 libras (83,5 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
14 de janeiro, 1863…           182 libras (82,6 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
4 de fevereiro…                     180 libras (81,6 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
25 de fevereiro…                   178 libras (80,7 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
18 de março…                        176 libras (79,8 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
8 de abril…                             173 libras (78,5 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
29 de abril…                           170 libras (77,1 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
20 de maio…                          167 libras (75,7 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
10 de junho…                         164 libras (74,4 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
1 de julho…                             161 libras (73,0 Kg)…             3 libras (1,4 Kg)…
22 de julho…                          159 libras (72,1 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
12 de agosto…                        157 libras (71,2 Kg)…             2 libras (0,9 Kg)…
26 de agosto…                       156 libras (70,8 Kg)…             1 libra   (0,4 Kg)…
12 de setembro…                   156 libras (70,8 Kg)…             0…

Perda de peso total em 12 meses…                   46 libras (20,9 Kg[NT9]).

Posteriormente eu perdi mais 4 libras (1,8 Kg).

Minha reduzida circunferência, em terminologia de alfaiate, era dificilmente concebida até por meus próprios amigos ou por meu respeitado consultor médico até que eu vestisse minhas roupas antigas por cima das que visto agora, o que foi uma prova extremamente convincente da incrível mudança. Estes resultados importantes foram obtidos pelos meios mais simples e confortáveis, com pouco remédio e quase totalmente por um programa alimentar, que eu antigamente teria pensado ser perigosamente abundante. Todos que me conhecem me dizem que minha aparência pessoal melhorou enormemente e que eu pareço portar os traços da boa saúde; esta pode ser questão de opinião ou de comentários amigáveis, mas eu posso honestamente afirmar que eu me sinto restaurado de saúde “física e mentalmente”, pareço ter mais potência muscular e vigor, como e bebo com um bom apetite e durmo bem. Todos os sintomas de acidez, indigestão e azia (com a qual eu era frequentemente atormentado) desapareceram. Eu abandonei o uso de calçadores e outros suportes parecidos que eram indispensáveis, mas que são desnecessário já que agora posso me inclinar com facilidade e liberdade. Eu não tenho mais a sensação de desmaios ocasionais e o que eu acho uma bênção e conforto notáveis é que eu consegui de maneira segura abandonar as bandagens de joelho, que eu necessariamente usei por muitos anos, além de ter abandonado a cinta umbilical.

Após publicar meu panfleto, me senti impelido a enviar uma cópia dele a meus antigos consultores médicos e averiguar suas opiniões sobre o assunto. Eles não se opuseram ou questionaram as propriedades do programa, mas ou não ousam arriscar sua prática em um homem de minha idade ou pensam ser um sacrifício muito grande de conforto pessoal para ser aconselhado ou seguido, e nenhum deles pareçeu perceber a realidade que é a miséria da corpulência. Um eminente médico, como disse antes, me assegurou que o aumento do peso era um resultado necessário da passagem dos anos; outro igualmente eminente a quem eu fui direcionado por um terceiro bastante amigável, muito gentilmente mas ineficazmente falhou, aumentou meu peso em algumas semanas em vez de abater o mau. Esses fatos me levaram a acreditar que a questão não é suficientemente estudada ou mesmo respeitada.

O grande charme e conforto do programa é que seus efeitos são palpáveis com uma semana de tentativa, o que cria um estímulo natural para perseverar por mais algumas semanas, quando o fato se torna estabelecido além de questionamentos.

Eu rogo a todas as pessoas vítimas de corpulência a fazer uma tentativa justa por somente um mês inteiro, já que estou bem convencido de que eles irão em seguida continuar o curso que rende tais benefícios extraordinários até que total e efetivamente aliviados, e que seja lembrado que é pelo sacrifício dos mais simples e pela vantagem dos mais generosos e confortantes alimentos. A alimentação simples evidentemente adiciona combustível ao fogo corpulento, enquanto que a alimentação superior e abundante parece extingui-lo.

Muitos estão praticando a dieta após consultar com seus próprios consultores médicos, alguns poucos foram ao meu e outros estão praticando com suas próprias convicções das vantagens detalhadas no panfleto, embora eu recomende a todos para agir com cautela em caso de suas constituições serem diferentes da minha.

Eu estou agora naquele estado confortável e feliz no qual eu não hesito em ceder a alguma tentação em relação à dieta, mas olho as consequências e não continuo um curso que adicione peso ou corpo e consequente desconforto.

Não é este programa sugestivo para artistas e homens de emprego sedentário que não conseguem separar um tempo para exercício, consequentemente se tornando corpulentos e obstruindo a pouca ação muscular com uma superabundância de gordura, desta maneira facilmente evitável?

Pão puro e genuíno pode ser o centro da vida, como no ditado. Ele o é particularmente na juventude, mas eu estou certo que ele é mais saudável em idade avançada se bem torrado, como eu o como. Minha impressão é que todo amido ou sacarídeo leva à doença da corpulência em idade avançada; e, seja ele engolido de forma direta ou produzido no estômago por combinação, que todas as coisas tendendo a esses elementos devem ser evitadas, claro, sob autoridade médica competente.

Um bom amigo me forneceu uma tabela a respeito do peso proporcional à estatura, a qual pode ser interessante e útil a leitores corpulentos:

Estatura                                           Peso
5 pés por 1   (1,55 m) deveria ter 54,4 Kg.
5 pés por 2   (1,57 m) deveria ter 57,2 Kg.
5 pés por 3   (1,60 m) deveria ter 60,3 Kg.
5 pés por 4   (1,62 m) deveria ter 61,7 Kg.
5 pés por 5   (1,65 m) deveria ter 64,4 Kg.
5 pés por 6   (1,68 m) deveria ter 65,8 Kg.
5 pés por 7   (1,70 m) deveria ter 67,1 Kg.
5 pés por 8   (1,73 m) deveria ter 70,3 Kg.
5 pés por 9   (1,75 m) deveria ter 73,5 Kg.
5 pés por 10 (1,78 m) deveria ter 76,6 Kg.
5 pés por 11 (1,80 m) deveria ter 78,9 Kg.
6 pés por 0   (1,83 m) deveria ter 80,7 Kg.

Esta tabela, obtida das medidas médias de 2.648 homens saudáveis foi feita e organizada para uma Companhia de Seguros pelo falecido Dr. John Hutchinson. Ela responde como um padrão muito bom e seguros foram regulamentados com ela. Seus cálculos levaram em conta o volume de ar entrando e saindo dos pulmões e esse foi seu guia sobre quão saudáveis estavam os vários órgãos do corpo, os pulmões em particular. Ela poder ser vista como um tipo de regra provável, ainda assim somente como uma média, alguns com saúde pesam vários kilos a mais do que outros. Ela não deve ser encarada como infalível, mas somente como um tipo de guia razoável e geral ao incrível e poderoso trabalho da natureza.

Como uma visão geral da questão, eu acho que pode ser admitido que uma constituição de baixa estatura dificilmente planeja suportar um peso muito grande. Julgando por esta tabela, eu deveria estar mais leve do que eu estou; eu não devo, entretanto, desejar ou buscar tal resultado, nem por outro lado, me sentir alarmado se eu diminuir mais um pouco em peso ou corpo.

Eu estou certamente mais sensível ao frio já que eu perdi a superabundância de gordura, mas isto é remediado com outra vestimenta, muito mais agradável e satisfatório. Muitos de meus amigos disseram, à medida que eu progredia: “Oh! Você foi muito bem até agora, mas tome cuidado para não ir longe demais.”. Eu imagino tal circunstância, com tal alimentação, muito improvável, se não impossível, e agora digo isto após seis anos de experiência; mas sentindo que eu obtive aproximadamente o nível certo de corpo e peso proporcionais à minha estatura e idade, eu não deveria hesitar em participar de uma alimentação engordante ocasionalmente, para preservar o nível ideal se necessário; mas eu devo sempre observar com olhar atento a mim mesmo para descobrir os efeitos e agir de acordo, de modo que, se eu decidir passar um dia ou dois com o Homem Rico, por assim dizer, eu não devo esquecer de devotar o seguinte à Lázaro.

Pouco imaginam os acadêmicos a miséria e sofrimento de viver com o parasita da corpulência ou obesidade.

A aproximação da corpulência é tão gradual que, até que ela esteja avançada demais, a pessoa raramente se torna objeto de atenção. Muitos podem até ter se parabenizados pela bela aparência e não procurado conselho ou remédio para o que eles não consideravam um mal, mas um mal eu posso dizer muito sinceramente ela o é quando em excesso e, em minha opinião, ela chegará neste ponto a menos que removida pelas maneiras corretas.

Alguns, eu acredito, se submeteriam de boa vontade mesmo a um remédio violento de modo que um benefício imediato pudesse ser produzido; este não é o objetivo do tratamento, pois não pode deixar de ser perigoso (em minha humilde opinião) reduzir uma doença desta natureza abruptamente; eles estão provavelmente assim passíveis demais ao desespero pelo sucesso e consideram-na inalteradamente conectada à sua constituição. Muitos, sujeitos a este sentimento, sem dúvida retornam a seus hábitos anteriores encorajados assim pelos conselhos imprudentes de amigos que, eu estou convencido (das correspondências que tive neste assunto muito interessante) se tornaram cúmplices não racionais na destruição daqueles a quem eles respeitam e estimam.

Também foi falado que uma alimentação tal como a minha era muito boa e cara para um homem pobre e que eu havia perdido vista dessa classe, mas um homem corpulento muito pobre não se encontra frequentemente, já que os pobres não podem arcar com os meios para criar gordura; mas quando a tendência existe nessa classe, eu não tenho dúvida que ela pode ser remediada pela abstinência dos artigos proibidos e uma utilização moderada de tais estimulantes baratos como os que podem ser recomendados por um consultor médico, com o qual eles têm grandes oportunidades de consultar gratuitamente.

Eu tenho um sentimento muito forte de que a gota (outro terrível parasita da humanidade) pode ser imensamente aliviada, se não curada, por esta alimentação natural apropriada, mas não sem conselho.

A palavra “parasita” foi muito comentada como sendo inapropriada para qualquer coisa exceto para uma criatura viva rastejante (claro que eu uso a palavra no sentido figurativo, como um fardo ao corpo), mas se a gordura não é um inimigo traiçoeiro rastejante, eu não sei o que é. Eu teria aplicado a palavra igualmente à gota, reumatismo, edemas e muitas outras doenças.

Um ponto importante eu fico contente em enfatizar a meus leitores corpulentos – o qual seja, se pesar cuidadosamente ao começar o novo sistema e continuar a fazer isto semana ou mensalmente, já que a mudança será tão verdadeiramente palpável com este curso de análise que irá armá-los com a confiança perfeita no mérito e sucesso último do plano. Eu me arrependo profundamente de não ter obtido um retrato fotográfico de minha aparência original em 1862 para colocar em justaposição com uma de minha aparência atual. Isto teria divertido alguns, mas certamente seria muito convincente a outros e surpreendente para todos que tal efeito tenha sido tão pronta e rapidamente produzido pelo método simples de trocar uma alimentação escassa por uma generosa sob orientação apropriada.

Eu vou considerar um grande favor se pessoas aliviadas e curadas, como eu fui, gentilmente me deixarem saber; a informação vai ser muito gratificante de saber. Que o sistema é um grande sucesso, eu não tenho sombra de dúvida devido aos numerosos e agradecidos relatos enviados para mim.

Foram expressas algumas dúvidas a respeito do ponto de parada na diminuição da balança, mas é um fato notável que a maior e mais palpável diminuição de peso e corpo ocorre nas primeiras quarenta e oito horas, a descida se torna então mais gradual. Minha própria experiência e a de outros, me assegura que se uma autoridade médica for primeiro consultada quanto à queixa e com a pequena ajuda externa que os remédios podem fornecer, a natureza fará seu trabalho e somente seu trabalho, primeiro ao se aliviar da pressão imediata, ela poderá se mover mais livremente em sua própria e bela maneira e, em segundo lugar (o mesmo curso sendo buscado pelo paciente) ao trabalhar numa melhora mais rápida e cura final. O ponto de parada é somente quando a doença é parada e o parasita aniquilado.

Em meu humilde julgamento, a alimentação é o ponto principal no tratamento da corpulência e me parece ainda mais, que se propriamente regulada, ela se torna de certo modo um remédio. O programa me parece atacar somente os depósitos excedentes de gordura e, como meu amigo médico me informou, purifica o sangue tornando ele mais puro e saudável, fortalece os músculos e as vísceras e eu me sinto quase convencido que ela adoça a vida, se é que não a prolonga.

A medida que descubro que há mais de um Sr. Harvey preocupado com a cura da Corpulência e como eu tenho sido muito encomodado por correspondentes sobre o assunto, eu estou feliz por esta oportunidade de repetir que o consultor médico a quem eu sou muito grato é o Sr. William Harvey, F.R.C.S., do No. 2, Soho Square, Londres, W.

Eu agora terminei minha tarefa e confio que meus humildes esforços provem ser uma boa semente bem plantada, que irá frutificar e produzir uma grande colheita em beneficio de meus companheiros. Eu também espero que os acadêmicos de modo geral possam ser levados mais extensivamente a debater a questão da corpulência ou obesidade, de modo que, em vez de uns poucos médicos aptos, possa haver centenas distribuídos nas várias partes do Reino Unido. Em tal caso, eu estou convencido que essas doenças serão muito raras.

William Banting.
Antigamente no No. 27, St. James’s Street, Piccadilly,
Atualmente no No. 4, The Terrace, Kensington.
Maio, 1869.

Nota do Tradutor (NT):
NT9 – Este valor de 20,9 Kg é o correto. Não se deve utilizar a diferença entre os valores final e inicial (20,8 Kg) nem o somatório dos valores perdidos (21,1 Kg) por propagarem erro de arredondamento.

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2 respostas a Carta sobre a Corpulência – Corpulência

  1. Nota: os resultados fracionários são arredondados a 1/64. Para uma resposta mais precisa selecione ‘decimal’ a partir das opções acima do resultado. Nota: Pode aumentar ou diminuir a precisão da resposta selecionando o número de algarismos significativos necessários a partir das opções acima do resultado. Nota: Para um resultado exato com decimais selecione “decimal” a partir das opções acima do resultado.

  2. gleize bandeira disse:

    Boa tarde
    sou Brasileira e estou no estados Unidos
    eu quero quer mi informi, estou pesando 170 libra e quero saber quanto estou pesando em quilo.
    por favor mande para o meu e-mail esta informarção
    aguardo
    muito obrigado

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