Carta sobre a Corpulência – Prefácio

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Prefácio da Quarta Edição

Não é com pouco orgulho e satisfação que eu ouso publicar uma quarta edição de minha Carta sobre a Corpulência, na esperança e crença que ela possa ainda mais interessar e beneficiar o público. As edições anteriores foram compostas e lançadas com todo tipo de defeito e deficiência evidentes de minha total inabilidade de fornecer qualquer evidência substancial do mérito e utilidade do programa além de minha própria e breve experiência pessoal. Cinco anos agora se passaram desde que a terceira edição foi publicada. Ela, com muita alegria, obteve uma circulação mundial e me proporcionou um enorme prazer e gratificação, advindos da convicção de que eu fui o meio de trazer para consideração e discussão pública uma das pouco conhecidas e muito negligenciadas leis da natureza. A popularidade de meu folheto despretensioso se manifesta não somente na surpreendente venda de não menos de 63.000 cópias somente neste país, mas pela sua tradução em línguas estrangeiras e sua grande e rápida circulação na França, Alemanha e nos Estados Unidos. Somando-se a isto, eu recebi quase 2.000 cartas muito admiradas e agradecidas de todos os cantos do mundo.

Sentindo um interesse intenso por um exame mais completo desta importante questão, eu solicitei correspondências de modo que eu pudesse obter as informações mais completas das experiências de outros. Isto, claro, consumiu uma grande parte de meu tempo, bem como ocasionou uma despesa considerável. Entretanto, felizmente eu tinha tempo livre, inclinação e meios a minha disposição e considerei um privilégio empregá-los a serviço de meus companheiros. A correspondência foi uma grande fonte de interesse para mim e acredito que, da mesma forma, irá interessar e beneficiar o público em geral.

O grande princípio que o Sr. William Harvey (meu consultor médico), do Soho Square, ensinou, tendo sido confirmado pela minha própria experiência pessoal, me permitiu falar com uma confiança perfeita e eu me tornei invulnerável ao ridículo, desprezo e insulto, que não foram poupados nos estágios iniciais da discussão. Eu acredito ter subjugado meus atacantes mal-educados com silêncio e paciência e eu agora posso olhar com pena, não separada de pesar, para homens de eminência que tiveram a precipitação e a tolice de designar o programa alimentar de “fraude” e de se levantar para desprezar o homem que o levou adiante, embora ele nunca tenha obtido ou procurado recompensa pessoal ou pecuniária, mas simplesmente desejado, como agradecimento, levar a conhecimento de outros sofredores o remédio que ele descobriu tão eficaz para si. Eu agradeço de todo coração à imprensa pública pela justiça geral de suas críticas e me sinto profundamente em débito com o Morning Advertiser pelo seu competente artigo de 3 de outubro de 1865 quando eu fui tão triste e injustamente atacado por certos membros proeminentes da British Association, cujos sentimentos, agora que os assuntos foram mais amplamente e inteligentemente examinados e discutidos, eu não invejo.

Meus únicos objetivos ao lançar uma quarta edição são:
Primeiro – Oferecer minha experiência pessoal adicional no assunto desde que eu publiquei a terceira edição em 1864.
Segundo – Dar exemplos de algumas evidências notáveis dos benefícios proporcionados a outros pelo programa alimentar em confirmação do meu próprio testemunho.
Terceiro – Aplicar qualquer lucro que possa surgir de sua venda a vários programas de caridade, conforme o plano que segui com os ganhos inesperados da terceira edição.

Eu fui forte e frequentemente aconselhado a publicar alguns dos relatos altamente interessantes que recebi por correspondência como prova do grande valor de um programa alimentar apropriado em idade avançada e da validade do conselho do Sr. William Harvey, que se provou tão benéfico para mim, mas eu, até agora, me impedi de fazê-lo, pela crença de que se ao relato de minha própria experiência pessoal não fosse dado crédito, nenhum valor seria adicionado a qualquer outra evidência que eu pudesse dar como exemplo. Com o tempo, entretanto, eu me rendi à sugestão e só posso esperar que esta evidência acumulada e impecável se prove interessante e convincente mesmo ao mais resoluto descrente.

Foi reportado a mim que muitos médicos argumentaram que eu poderia não ter consultado nenhum membro eminente de sua fraternidade sobre o assunto da obesidade. Eu peço licença enfaticamente para assegurar ao público que, por 20 anos, antes de consultar o Sr. Harvey, eu não tive motivo para consultar um médico por qualquer outro mal exceto aqueles que não fossem consequência inevitável da corpulência e que, embora meus consultores médicos não fossem poucos nem de segunda categoria, nenhum deles apontou a causa real de meu sofrimento nem propôs qualquer remédio efetivo até eu apelar a meu amigo Sr. Harvey, o renomado otologista, por conta somente de surdez.

Eu não vou afirmar ter dito a cada um “peço que remova minha corpulência”, já que haviam me dito que ela era, e eu realmente pensava ser, incurável, mas todas as minhas desordens resultavam dela e o Sr. Harvey foi o primeiro a me familiarizar com o fato.

É possível e eu acho que provável que mesmo o Sr. Harvey tenha ficado de algum modo surpreso pelos resultados extraordinários e velozes de minha rígida aderência ao seu conselho, já que ele faz tempo prescrevia o programa alimentar apropriado para reduzir ou curar corpulência, mas seus pacientes até agora imprudentemente ignoravam suas ordens, foi somente a minha rígida obediência que provou completamente a precisão de seu julgamento. Meu único mérito consiste na total obediência ao conselho do Sr. Harvey. A ele somente pertence todo o crédito pela cura. Ele foi o primeiro a me conduzir  ao verdadeiro caminho da saúde e eu fui provavelmente o primeiro de seus muitos paciente que se manteve nele.

Eu nunca assumi ter o menor conhecimento médico, pelo contrário, eu assegurei a todos os correspondentes que eu era completamente ignorante das razões fisiológicas ou químicas para os resultados maravilhosos produzidos pela alimentação prescrita, nem venho eu perante o público agora com qualquer pretensão que seja de tal conhecimento, mas simplesmente para oferecer meus últimos cinco anos de experiência em confirmação de minhas observações originais sobre o grande fato, apoiado pelas experiências de numerosos correspondentes de todas as classes sociais, homens e mulheres, na esperança de que a evidência que coletei possa estimular médicos e cientista a promover um conhecimento ainda mais amplo desta importante verdade, “que a mudança da alimentação é frequentemente necessária ao avançar da ou em idade avançada para assegurar boa saúde física e conforto, particularmente aos corpulentos e obesos”.

Foi infeliz e sem dúvida prejudicial, nos estágios iniciais de minha cruzada contra a corpulência, que escritores teóricos na Blackwood’s Edinburgh Magazine e em outros periódicos influentes tenham enfatizado tão fortemente as minhas quatro refeições diárias, assumindo que fossem quatro refeições pesadas. Nenhuma parte de meu panfleto afirma isto. Desde que atingi a maioridade eu tenho sido bastante notado pela moderação de minhas refeições e eu duvido muito que algum homem, em boa saúde, empregado em alguma atividade, tenha consumido menos no período das vinte quatro horas. Eu estou profundamente convencido que é somente a QUALIDADE que requer atenção e não a quantidade. Isto tem sido enfaticamente negado por alguns escritores em alguns artigos públicos, mas eu posso confiantemente afirmar, com a evidência inquestionável de muitos de meus correspondentes, assim como a minha própria, que eles estão errados.

Eu entendo que pessoas de grande estrutura e constituição física possam necessitar de uma quantidade proporcionalmente maior da alimentação prescrita, mas elas devem ser guiadas pelo seu próprio julgamento na aplicação dos princípios apresentados.

Foi provavelmente um azar para eu nunca ter ouvido do celebrado trabalho La Physiologie du Goût, por Brillat-Savarin e outros tratados por Bernard e Dancel, mas eu tinha total confiança que nossos próprios eminentes médicos (sem iguais na Europa) estivessem bem informados de todos novos fatos científicos descobertos em Paris ou outro lugar e eu nunca sonhei em consultar essas autoridades estrangeiras, das quais como a imprensa pública me informou, eu poderia ter obtido um tratamento para a cura da corpulência.

Minha despretensiosa Carta sobre a Corpulência ao menos trouxe todos esses fatos à superfície para uma análise pública e eles já tiveram com isso uma grande parcela de atenção e irão sem dúvida receber muito mais até que o programa seja profundamente compreendido e devidamente apreciado por todo homem e mulher pensante no mundo civilizado.

Foi-me dito, de novo e de novo, que o programa era tão antigo quanto as montanhas. Eu não vou negar, porque eu não posso, mas eu posso dizer por mim mesmo e por meus muitos correspondentes que ele era totalmente novo para nós, ou alguns de nós teriam sem dúvida sido recomendados a praticá-lo por algum consultor médico, como eu não tenho dúvida que eles estejam fazendo agora e como eles irão com certeza fazer mais amplamente de agora em diante.

Alguns escritores assumiram que eu não tinha grande queixa em meu estado corpulento. Falha na visão e audição, uma hérnia umbilical necessitando de cinta, bandagens para joelhos e tornozelos fracos não são queixas sérias? Somente aqueles que já sofreram com a corpulência podem entender adequadamente sua miséria ou apreciar os méritos de um programa tão admiravelmente adaptado ao seu alívio.

Meu mais sincero e, de fato, meu único amplo desejo tem sido o de debater esta questão no interesse da humanidade e de assegurar não somente as vantagens do programa agora chamado de “Banting”, mas também de algum possível prejuízo em sua aplicação, e eu estou impelido a dizer que eu não me deparei com nenhum caso onde mal tenha advindo de sua prática sob supervisão e autoridade médica. Dois ou três resultados desfavoráveis foram relatados em artigos públicos, eu imediatamente trabalhei em investigá-los e provei que eles não tinham mais fundamento do que os frequentes relatos de minha morte. Eu devo admitir que aproximadamente um mês após o lançamento da terceira edição eu recebi uma carta abusiva sobre o assunto de um correspondente anônimo que deve se gabar de ter permanecido incógnito, mas eu me arrisco a garantir que ele não permaneceu e que seu abuso não é argumento contra o programa, mas simplesmente uma prova de sua própria falta de maneiras e senso comum.

Em meu desejo de chegar à verdade completa, eu enviei uma cópia de meu panfleto a alguns profissionais proeminentes da atualidade e recebi várias respostas cordiais e práticas. Algumas delas serão encontradas dentre as evidências que ofereço. Um destes testemunhos eu não resisto a citar aqui também:

“As regras de alimentação que você descobriu serem tão benéficas há muito eram impostas a homens que estivessem sob treinamento de corrida ou luta de boxe; aparentemente, entretanto, sua eficácia especial foi despercebida devido a outros domínios relacionados a exercícios, suor etc, estarem misturados a elas.”

Este enunciado claro e simples, em minha opinião, desvenda todo o mistério e resolve o problema que há muito repousava, até que minha perseverança sob o tratamento do Sr. Harvey felizmente colocou sob completa examinação.

Sem dúvida o sistema era conhecido e era praticado, mas somente para promover vigor muscular em pessoas saudáveis para finalidades especiais, ainda que nunca houvesse sido aplicado aos não saudáveis e corpulentos, porque era impossível para tais pessoas conseguir o exercício necessário e suor. Está agora provado que, somente com alimentação adequada, os males da corpulência podem ser removidos sem a adição dos exercícios ativos, que são impossíveis ao paciente doente ou pesado.

Outro eminente médico, cuja carta irá aparecer com as outras[NT1], estava de fato dando meu panfleto em sua prática. Eu fiquei enormemente surpreso de ouvir isso e escrevi para me certificar do fato. Ele me convidou a visitá-lo e me mostrou que minha informação estava correta ao apontar uma pilha deles em cima de sua mesa. Ele me cumprimentou pela publicação, por conter conselhos sólidos em casos como o meu, e adicionou que a descoberta não foi do Sr. Harvey, mas obtida do “Sr. Bernard, de Paris”. Eu respondi que Sr. Harvey me disse que havia primeiro obtido sua informação de palestras que ele havia ouvido em Paris, do Sr. Bernard, a respeito da diabetes e de outras queixas, mas que havia ele próprio aplicado em casos de corpulência. Ele admitiu que o simples registro de minha própria experiência na validade do sistema havia trazido-o à luz do dia e que se ele houvesse sido escrito por um médico, ele dificilmente teria sido notado pelo público em geral.

Provavelmente ninguém foi tão sujeito a mais zombaria e abuso do que eu, em inglês bem como em jornais estrangeiros. Meu único objetivo, entretanto, foi o bem de meus companheiros. Ter alcançado meu objetivo, em algum grau, é uma recompensa suficiente pela minha despesa de tempo e meios e uma ampla compensação pelo desprezo insolente de alguns e pela grosseria débil de outros.

Eu certamente fiquei um tanto surpreso uma vez, e nem um pouco contente, ao descobrir que minha morte havia sido amplamente divulgada, até para mim mesmo por alguém que não me conhecia pessoalmente e, outra vez, de ouvir que eu estava seriamente doente e atingido por furúnculos, carbúnculos e outros males em minha rígida aderência ao programa alimentar. Eu estou, assim, grato por esta oportunidade de anunciar publicamente (o que centenas de meus amigos podem atestar) que eu não sei o que é gota ou dor de cabeça, que eu sempre comi, bebi e dormi bem, não tive carbúnculos, furúnculos ou qualquer doença real que seja desde que eu comecei o programa recomendado pelo Sr. Harvey, de fato, o único mal que eu tive foi uma pequena erupção adicional em minhas mãos em 1867, um desconforto que tem sido mais ou menos incômodo por anos, mas do qual eu fui logo aliviado, sem dúvida, pela aderência contínua ao programa alimentar. Eu não tenho, assim, oferecido nenhuma panacéia ou remédio falso, mas simplesmente expressei os resultados de ter seguido conselho profissional e somente pedi um exame profundo pelo público e por nossos professores médicos altamente inteligentes; de fato, eu recomendei a todos consultar seus consultores médicos antes de adotar o que eu individualmente considerei um programa perfeitamente inofensivo. Eu não sabia nada das causas, fisiológicas ou químicas, para os efeitos fantásticos produzidos por uma alimentação generosa, em oposição a uma escassa; mas acreditei e ainda acredito que é um remédio simples para reduzir e destruir gordura supérflua; que pode ser um alívio, se não uma cura, para a gota; que ela previne ou erradica carbúnculos, furúnculos e os componentes da indigestão; torna o avanço da vida mais agradável e promove a longevidade. Eu considero minha saúde geral extraordinária, de fato, eu encontrei poucos homens de 72 anos de idade que tenham tão pouco do que reclamar. Eu confio, assim, que se quaisquer futuros relatos adversos de minha saúde e condição aparecerem, eles devam ser comunicados a mim pelo serviço postal, de modo que eu possa imediatamente contradizer, se possível, tais rumores tolos. Eu não posso, agora, retirar nada do que já escrevi sobre o assunto, e por isto a publicação de uma quarta edição, condensada, com as observações da experiência de cinco anos subsequentes me permite oferecer a confirmação de sua verdade e honestidade geral.

Eu não tenho dúvida de que já exista uma redução considerável no número de meus corpulentos e outrora afligidos irmãos e irmãs, através da aderência rígida ou mesmo parcial à alimentação chamada “Banting”, mas eu tenho visto ainda demasiadamente muitos em minhas voltas pela Inglaterra e por tudo isso eu confio que a publicação de uma quarta edição de meu panfleto possa ser útil. Eu sinceramente recomendo qualquer um assim afligido, que deseje fazer um teste com o programa, a ser precisamente pesado após consultar algum consultor médico antes de começar e, novamente, ao fim de sete dias, durante tal curto período a principal e mais extraordinária mudança de peso ocorre. Isto será tempo suficiente para convencer o mais céptico de seu mérito e utilidade e com isso dar uma confiança maior para continuar sua busca, sob aprovação médica. Um teste tão curto com uma alimentação superior, em troca de uma inferior ou mais simples, certamente não pode fazer mal ao corpo humano, caso a queixa venha de outras causa que não a indevida corpulência; mas eu acredito que se encontrarão médicos em todos os cantos do mundo que tenham sido levados a investigar este importante assunto nos últimos anos e que, por consequência, o público geral será agora mais apropriadamente aconselhado sobre o assunto.

Muitas centenas de apelos foram feitos a mim para suprir os correspondentes com a prescrição do tônico matinal, do qual eu falei de modo tão favorável. Eu só pude responder prudentemente que ele era de natureza alcalina e remetê-los a seus consultores médicos, já que o que funcionou comigo poderia não funcionar com eles.

Isto deve, entretanto, poupar complicações futuras se eu agora publicá-lo em detalhe: B – Mag. Carbon.

Isto é, entretanto, de pouca utilidade pública, já que meu consultor médico não o prescreve a todos indiscriminadamente, mas pode provavelmente acalmar a curiosidade pública.

É, talvez, de pouca consequência para o público, mas é uma questão de grande importância para mim, mostrar que eu me mantive fiel a eles e posso ser confiado futuramente, eu assim peço sua atenção aos custos da publicação e as maneiras nas quais os lucros foram gastos.

A primeira edição de 1.000 cópias de meu panfleto eu presenteei a clubes, a sociedades médicas e de estudo e ao público. A segunda edição, 1.000 cópias eu também dei ao público e 500 das últimas cópias eu direcionei à venda em benefício do Printer’s Sick Fund, pois descobri que alguns preferiam comprá-las.

Estas e a distribuição me custaram £ 40 pelos quais eu não esperava nem recebi um centavo em retorno.

Eu fui advertido de que para pagar pelos custos de impressão, publicação e anúncio de uma terceira edição, de 20.000 cópias, eu deveria cobrar um shiling por cada, mas como vantagem pecuniária não era meu desejo nem objetivo, eu determinei a distribuição por seis pence cada e preferi perder com isto a pensar em lucro. A venda, entretanto, aumentou tão maravilhosamente que, ao fim de oito meses, 50.000 cópias foram vendidas com um resultado que a imprensa gentilmente publicou na época.

Desde aquela época mais 13.000 cópias foram vendidas e eu tenho o maior prazer e satisfação em reportar o seguinte resultado total:

Recebido –
Pela venda de 63.000 cópias como 58.154 ou 4.846 dúzias e 2 cópias, de acordo com o costume comercial[NT2], a 4 shilings por dúzia ..
£ 969 4 8[NT3]

Pago –
Por configurar, corrigir, moldar e imprimir 63.000 cópias, embrulhadas ..
£ 633 13 0
Por publicidade nos jornais da cidade e de Londres e despesas secundárias ..
£ 110 1 8

Deixando um lucro ao autor de ..
£ 225 10 0
que eu tive a satisfação de distribuir como segue:

Ao Printer’s Pension Society, em seu jantar anual, em março de 1864, através de Chas. Dickens, Escudeiro .. £ 50 0 0
Idem, posteriormente .. £ 21 0 0
Ao Royal Hospital para incuráveis .. £ 50 0 0
Ao British Home para incuráveis .. £ 50 0 0
Ao National Orthopaedic Hospital .. £ 101 0 0
Ao City of London Truss Society .. £ 101 0 0
Ao West London Hospital .. £ 101 0 0
Ao Great Northern Hospital .. £ 101 0 0
Ao Epileptic Hospital .. £ 101 0 0
Ao Alexandra Institution para cegos .. £ 101 0 0
Ao Sick Fund do Morning Advertiser .. £ 5 0 0
Ao Sick Fund de meu Printer’s Establishment .. £ 5 0 0

Tudo isso em relação à fortuna que foi amplamente divulgada que eu fiz com a “especulação”!!

É possível que interesse ao público saber o resultado de meu prosseguimento e experiência pessoal desde que publiquei minha terceira edição em 1864. Meu peso continuou por volta de 69,8 Kg[NT4] do qual eu nunca variei mais ou menos de 3 libras (1,4 Kg), principalmente quando eu estava experimentando para confirmar meu grande inimigo dietético e eu provei muito satisfatoriamente que ele é e era o açúcar e os elementos sacarídeos.

Eu confirmei, por repetidos experimentos, que cinco onças (142 g) de açúcar distribuídos igualmente por sete dias, o que não dá uma onça por dia, aumentará meu peso em aproximadamente uma libra (454 g) ao final do curto período. Os outros elementos proibidos não produziram um resultado tão extraordinário. Nestes, por isso, eu não sou tão rígido. Algumas pessoas (como será visto por suas cartas[NT5]) descobrem que outras coisas são prejudiciais. Eu nunca como pão a não ser que ele esteja envelhecido, cortado fino e bem torrado. Eu muito raramente como alguma manteiga, certamente menos de uma libra (454 g) no ano. Eu raramente tomo leite (embora chamar isto de leite[NT6], em Londres, seja provavelmente um erro) e eu tenho quase certeza que eu não bebo um galão (3,8 litros) no ano inteiro. Eu ocasionalmente como uma batata com a minha janta, possivelmente ao limite de 1 libra (454 g) por semana. Eu falo de xerez com sendo bem admissível e fico contente com esta oportunidade para dizer que eu descobri desde então que ele promove acidez. Talvez o melhor xerez que eu pude obter não fosse o melhor, mas eu acho que um claret fraco leve ou brandy, gin ou whisky com água me caem melhor e fui levado a crer que fruta, embora madura, não me cai tão bem crua quanto cozida, sem açúcar. Eu acho que vegetais de todos os tipos, que crescem acima do solo, amadurecidos até a maturidade e bem cozidos, são admiráveis, mas eu evito todas as raízes como cenoura, nabo, chirívia e beterraba. Eu não tomo nenhum tipo de remédio há dezoito meses e acredito que minha alimentação contém todo o plano necessário que o meu sistema necessita. Na firme crença e convicção de que a qualidade da comida é o principal desejado e de que a quantidade é mero devaneio, eu como as mais agradáveis e saborosas provisões, torta de carne e caça que meu cozinheiro possa confeccionar, com os melhores molhos, gelatinas etc, a gordura escorrida da superfície, mas eu nunca, ou muito raramente, como um pedaço de casca de pudim ou torta.

Minha organização corporal pode ser de algum modo diferente da de outros, mas os fatos que eu relatei são indisputáveis por serem o resultado de minha própria experiência pessoal, que eu tornei conhecida para o benefício de outros que sofreram, como eu sofri, e cujo testemunho da eficácia da cura confirma minha própria.

Sendo apreciador de ervilhas, eu como elas diariamente na estação e ganho 2 ou 3 libras (0,9 a 1,3 Kg) de peso bem como um pouco de corpo, mas eu logo perco ambos quando a estação acaba. Por esta infração eu bem me perdôo.

A correspondência anexada[NT7] é somente uma porção das mais de 1.800 cartas que eu recebi. Dificilmente há uma no meio de todas que não transpire um espírito de puro agradecimento e gratidão pelos benefícios advindos do programa alimentar e contenha os mais lisonjeiros elogios a meu caráter e motivos. Uma ou duas, de fato, de características totalmente opostas chegaram a mim e eu não teria me abstido de publicá-las caso os autores não tivessem achado apropriado privá-las de qualquer autoridade ao ocultar seus nomes. Eu originalmente selecionei um número muito maior para publicação, mas temi que mesmo estas poucas fossem cansativas para alguns leitores, embora eu tivesse reduzido-as o máximo possível ao omitir agradecimentos pessoais, assuntos irrelevantes, questionamentos etc, de pouca importância a outro que não o escritor. Elas serão, entretanto, eu acredito, examinadas com interesse por muitos outros que possam selecionar tantos fatos delas quantos possam ser aplicadas a seus casos específicos.

Uma grande quantidade desses correspondentes – de fato, alguns dos mais interessantes – me deram total permissão para imprimir seus nomes e endereços, como prova, e eu não tenho qualquer dúvida que eu poderia obter o consentimento de quase todos para a livre publicação de suas cartas, mas eu considero um tanto quanto desnecessário dar mais do que o número e data das respectivas cartas, assegurando ao leitor que os extratos foram feitos de maneira confiável e que eu estou pronto a exibir os originais a qualquer pessoa que faça o pedido em boa fé e honestidade de propósito para examinar ainda mais este assunto tão importante.

Eu certamente teria desejado que a prova a coroar a veracidade e utilidade de meus enunciados tivesse emanado de um de meus compatriotas, mas este não foi o caso, embora um deles, como já apresentei, destravou o mistério e até então resolveu o grande mistério.

Eu estou em débito a um estrangeiro por este eficiente serviço e eu, agora, em conclusão, peço atenção particular ao último artigo neste panfleto[NT8], o qual seja – uma palestra dada ante o Rei e Corte de Wurtemburg, em Stuttgart, em dezembro de 1865, pelo celebrado médico e professor Dr. Niemeyer, que eu muito cuidadosamente traduzi.
Eu agradeço de todo o coração este homem competente e generoso pelo valioso testemunho que ele transmitiu para a veracidade do programa, pela honra e crédito que ele conferiu a meu consultor médico Sr. William Harvey e por sua gratificante homenagem a meus próprios motivos e conduta por publicar minha experiência ao mundo.

William Banting.
Kensington, maio de 1869.

Nota do Tradutor (NT):
NT1 – A correspondência anexada a qual o autor se refere não foi encontrada junto com o texto utilizado para tradução. Caso alguém disponha da mesma favor entrar em contato com os administradores do site http:\\www.alimentacaoesaude.org.
NT2 – Quando uma dúzia vale 13… Aparentemente o costume comercial era de entregar uma cópia extra para cada dúzia (de 12) vendida. Assim as 63.000 cópias foram vendidas como 4.846 dúzias (de 13) mais 2 cópias, ou seja, ele só cobrou por 58.154 cópias.
NT3 – Valor monetário em libras (£) representado como “Libra Shiling Penny”, sendo que um shiling equivale a 12 pence (plural de penny) e uma libra equivale a 20 shilings.
NT4 – As medidas de peso foram passadas de libra (ou stone ou onça) para kilo (ou grama), os volumes passados de galão (ou onça) para litro (ou mililitro) e os comprimentos de pé (e polegada) para metro e, onde não houve prejuizo para o texto, deixados somente com essas últimas unidades. Onde as medidas originais foram mantidas, o objetivo foi deixar o texto mais claro, evidenciando uma sequência numérica ou mostrando que as medidas apresentadas no original provavelmente se tratavam de uma aproximação e não uma medida exata, como por exemplo: 4 onças (113 g).
NT5 – Idem NT1.
NT6 – Embora o autor não detalhe o assunto, é possível que ele esteja se referindo ao péssimo gosto e qualidade do leite vindo de vacas confinadas e alimentadas com refugo de cervejarias / destilarias, muito comum em sua época. Para mais detalhes sobre o assunto recomendo o livro “The Untold Story of Milk” de Ron Schmid.
NT7 – Idem NT1.
NT8 – O artigo ao qual o autor se refere não foi encontrado junto com o texto utilizado para tradução. Caso alguém disponha do mesmo favor entrar em contato com os administradores do site http:\\www.alimentacaoesaude.org.

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Uma resposta a Carta sobre a Corpulência – Prefácio

  1. Guilherme disse:

    Até onde sei, não existe o livro físico sendo vendido em português.

    Nós traduzimos a 4ª edição em 2012 e disponibilizamos aqui no site:

    http://alimentacaoesaude.org/carta-sobre-a-corpulencia-sumario/
    http://alimentacaoesaude.org/carta-sobre-a-corpulencia-prefacio/
    http://alimentacaoesaude.org/carta-sobre-a-corpulencia-corpulencia/

  2. sandro disse:

    Onde eu encontro o livro físico da tradução da 4ª edição deste livro – Carta sobre a corpulência??? Só estou encontrando a 2ª edição…

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