Citação: Ecologia Celular (Braghini)

“ … o açúcar é muito mais devastador para a sua saúde do que o cigarro.”

Contexto da citação: o autor não está defendendo o cigarro, só cita que parar de fumar é muito difícil e que se a pessoa controlar primeiro o consumo de açúcar, estará mais bem preparada para largar o cigarro. Sugere ainda nem tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Fonte: Ecologia Celular – Braghini, página 242.

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Quando foi que INVENTAMOS?

Os tigres, os macacos, as baleias, os besouros, as sardinhas, as gaivotas, as minhocas, e qualquer outro animal não domesticado que quisermos citar, se alimentam sem que ninguém lhes diga como nem com o que fazê-lo. E, até onde pudemos verificar, não há registro de casos de obesidade endêmica em nenhuma comunidade de minhocas.

As sardinhas comem o que sempre comeram as sardinhas, deste que se conhecem como tal. Os demais animais não domesticados idem, mas o ser humano não, pelo menos nos últimos anos. Há uns 10 mil anos, começamos acabando com o nomadismo: inventamos a agricultura. Muito tempo depois, na medida em que melhoramos as espécies vegetais e aumentamos as áreas plantadas, inventamos também as pragas.

A invenção (não intencional, é claro) das pragas levou a invenção dos agrotóxicos, aos quais a indústria química chama pelo eufemismo de “defensivos agrícolas”. Ou seja, hoje também nos alimentamos de agrotóxicos, digo, defensivos.

Junto com a agricultura, inventamos o processo de domesticação de animais. Selecionamos, geração após geração (isso muito antes da engenharia genética) os mais dóceis, os de mais carne, ou de mais lã, ou de mais ovos, até um ponto tal que começamos a decidir, por estes animais, como e quando deviam se reproduzir e se alimentar. E descobrimos que quando criados deste jeito e em quantidades grandes, surgem doenças, que exigem vacinas e remédios e descobrimos também que certos hormônios e rações os fazem crescer mais e mais depressa. Logo, inventamos de, através deles, nos alimentar também de hormônios e remédios.

Mais do que isso, inventamos a gastronomia: sabores, cores, odores e texturas, a serviço do nosso prazer. O que nos faz comer um peito de frango com hormônio ao molho espumante de maracujá com agrotóxico, digo, defensivo.

Em paralelo com a invenção da agricultura, criamos o direito de propriedade, uma vez que alguém que planta algo com seu próprio esforço, tem direito a usufruir daquilo que plantou. Estendemos este direito à propriedade da própria terra e, com isso, inventamos o início do capitalismo. Mais tarde este direito à propriedade chegou a ser estendido à posse de outros seres humanos, e inventamos a escravidão, da qual não nos livramos até hoje.

Socialmente, e na medida em que abandonávamos a vida nômade (selvagem) fomos nos fixando em determinadas áreas geográficas. Mas isso não foi suficiente. Precisávamos nos agrupar mais e inventamos as cidades e, com elas, os problemas de saneamento e suprimento de alimentos e água. Como as cidades facilitam muito a disseminação de bactérias, vírus e germes, inventamos também as pestes. E com elas, quase que todos os europeus se suicidam na idade média.

Com a industrialização, inventamos também a poluição nas cidades e com a invenção do automóvel, inventamos o engarrafamento e o desprestígio a quem não tem um (automóvel e não engarrafamento). E com o advento da empresa moderna, inventamos a competitividade, o risco do desemprego, a necessidade de sucesso e, é claro, o estresse. E, com isso, inventamos também a insônia. E com estresse e insônia, necessitamos inventar psicólogos e psiquiatras e, em seguida, inventamos o choque elétrico intencional, mais tarde substituído pelos tarjas pretas.

Em resumo, havia um tempo em que caçávamos e coletávamos para comer, e a maior parte do nosso tempo gastávamos em lazer, convivência e reprodução (ou treinando para ela). Hoje temos que viver num mundo poluído, enfrentando engarrafamentos, empregos estressantes, tendo insônia e correndo de um lado para o outro para ganhar a vida e poder comer correndo uma comida pouco saudável, para, no pouco tempo que resta, termos algum lazer, alguma convivência e um pouco de sexo.

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Quando foi que DESAPRENDEMOS?

Certamente foi de forma lenta, tão lenta que quase ninguém se deu conta. Mas aconteceu que, pouco a pouco, vimos desaprendendo as coisas e, com isso, perdendo nossa autonomia e, com ela, boa parte de nossa liberdade.

E tem coisa mais importante, depois de sobrevivência e outras coisinhas, do que a nossa liberdade?

O que sei é que desaprendemos coisas simples como saber se defender, saber comer, saber dar vazão à espiritualidade, saber ter bom gosto, saber escolher, saber …

Quando começamos a desaprender? Teria sido quando começou a divisão do trabalho? Quando admitimos o direito à propriedade?

A verdade é que hoje, por exemplo, para quem acredita em uma religião, principalmente nas grandes religiões, o homem desaprendeu a se relacionar com deus, ou com os deuses, sem intermediários. Pastores, rabinos, padres e similares estão aí para interpretar para nós aquilo que deus quis nos dizer. Precisamos de um tradutor daquilo que está na bíblia. Perdemos a capacidade, a competência, de interpretar as coisas por nós mesmos, de nos comunicar com os seres superiores, quando cremos na existência deles. Creio que era bem mais simples quando o sol era nosso deus, ou a terra nossa deusa. Sabíamos a quem e como rezar, sem intermediários. Mas desaprendemos, e hoje, sem intermediários, que muitas vezes nos custam muito caro, não sabemos mais rezar.

Nós, que inventamos o estado, somos hoje incompetentes para nos defendermos perante o próprio. Precisamos de intermediários, de advogados, de juízes. Criamos tantas e tão complexas leis, uma quantidade impossível de se conhecer, que dirá de cumprir. Em conseqüência, terceirizamos nossa defesa, ou seja, não somos mais tão livres quanto antes. Mas em compensação criamos muitos empregos.

Somos tutorados em tudo. Além de não sabermos mais rezar por conta própria e não sabermos (acho que o certo é não podermos) mais nos defender perante o estado que criamos e desaprendemos de saber até do que gostamos: se tivermos algum dinheiro e quisermos construir uma casa, provavelmente contrataremos arquitetos, decoradores e similares, para que eles nos digam do que deveremos gostar para que, com o nosso bom gosto comprado, consigamos impressionar os outros.

Mas um pouco antes de precisarmos dos arquitetos, especialistas absolutamente desnecessários na escolha, digamos, de uma boa caverna para passarmos o inverno, criamos a necessidade de engenheiros, de mil e um tipos, uma verdadeira praga de engenharia.

É que aprendemos a nos aglomerar a tal ponto de vivermos uns sobre os outros, em camadas de 2, 12 20 ou mais andares. De tal forma que, pela manhã, quando freqüentamos o sanitário, pode ser desagradável imaginar o que poderá estar ocorrendo a uma distância não superior a 2 metros da nossa cabeça.

Para vivermos assim, inventamos os engenheiros civis, que se desdobram parta construir prédios, ruas, estradas, pontes, esgotos, etc. complementados por outros engenheiros como os de materiais, químicos, mecânicos, elétricos, …

Ao nos aglomerarmos nas cidades trocamos picadas de cobra por epidemias avassaladoras. Desaprendemos a nos cuidar. Nosso pajé virou médico. E junto com os médicos inventamos a indústria milionária da doença.

Centenas de outras coisas desaprendemos, mas a mais importante para o tema desta página é: desaprendemos a comer. Não sabemos mais o que é bom para nós. Precisamos que as revistas, jornais e a televisão nos ensinem o que faz bem e o que não faz bem para a nossa saúde. Não sabemos mais nem beber água, precisamos que nos digam quanta água beber por dia e, mais ainda, em quais horários. Precisamos dos nutricionistas que nos recomendam o que e quando comer (médicos e professores de educação física também fazem isso) e precisamos de engenheiros (eles, de novo) para “construir” os nossos alimentos. A indústria hoje nos oferece produtos dietéticos, produtos light, zero cal, enriquecidos com ômega 3 e uma imensa parafernália de outras variações. Como sobreviveríamos sem isso? Difícil dizer como nossos antepassados sobreviveram sem isso para nos gerar.

Como conseguiam criar os bebês antigamente se não tinham tanta variedade de leite em pó, papinhas, farinhas lácteas, comidinhas pré-preparadas e uma infinidade de opções de comida infantil saudável?

Decididamente, desaprendemos a comer. Ainda bem que a propaganda daquela empresa vem nos salvar ao colocar à nossa disposição uma margarina que faz bem ao coração.

O problema do desaprender é que passamos a depender. E ao criarmos a dependência, perdemos a liberdade. Nos convenceram de que todas estas coisas (leis, apartamentos, igrejas e leite em pó) são essenciais e benéficas ao ser humano. Com isso perdemos informação básica e, em conseqüência, a liberdade de escolha. Nos deixamos tutelar.

Talvez seja pior: perdemos a capacidade de ousar, nos acomodamos, nos “ovelhamos”. Passamos horas em engarrafamentos, em filas, em frente à televisão, recebendo e repassando e-mails impessoais sobre a verdadeira amizade e o dia do amigo, consumindo toneladas de coisas, comendo e respirando coisas inadmissíveis e, principalmente, aceitando isso como se fosse vida.

Está de bom tamanho querer melhorar isso um pouco, antes que seja tarde demais. Se tudo o que foi citado, aliado aos verdadeiros ataques ambientais que causamos ao planeta, com nossos plásticos não degradáveis, com hormônios artificiais e liberação de carbono não for suficiente para nos liquidar de vez da face do planeta, tenho medo que desaprendamos a nos reproduzir.

Já pensaram?

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Salames da Sadia – Quem colocou leite em pó no meu salame?

Adquirimos 2 tipos de salame da Sadia, um denominado Salame Tipo Italiano e outro Salaminho, para conhecer seus ingredientes.


Não costumamos ler as embalagens dos produtos que compramos. Mas devíamos. Ainda vou ler as embalagens de leite em pó para ver se lá tem salame, ou pelo menos carne de porco. Digamos que seria uma espécie de contra-partida, uma vez que quase todos os salames cujos ingredientes eu li, e estes dois não fogem à regra, contêm … leite em pó.
Deve ter alguma função como dar liga, regular acidez, sei lá. Mas, em primeiro lugar, é estranho e, em segundo lugar, duvido que as receitas tradicionais de salame levassem … leite em pó. É uma invenção da indústria, que ingerimos sem ter a mínima noção.
Analisamos a composição de dois salames da Sadia, um “Tipo Italiano” e outro “Salaminho” e encontramos, além do leite em pó, açúcar (???) e muitos aditivos. É uma pena que um alimento tão gostoso quanto o salame tenha muitas coisas além de porco (carne e gordura), temperos e uma cura com defumação. No salame tipo italiano, entre os ingredientes principais há gordura suína e toucinho: qual a diferença? A gordura suína seria o toucinho na forma de banha de porco? Não entendi. No salaminho só consta toucinho.
Entre os dois produtos, o salaminho é mais indicado por ter menos ingredientes e, principalmente, por não conter glutamato monossódico.

Ficha dos Produtos e Ingredientes

Nome Comercial: Salame Sadia – Tipo Italiano e Salaminho.
Fabricante: Sadia S. A.
Aquisição: Aracaju – março de 2010.
Distância rodoviária da fabricação à aquisição: 2.963 Km (fabricados em Concórdia / SC).
Atenção: quanto maior a distância entre a fabricação e o consumo, maior a necessidade de conservação do produto, resultando em maior quantidade de aditivos, além do problema ecológico da queima de combustíveis fósseis para transportar o produto por longas distâncias ou para conservá-lo refrigerado.

O salame Tipo Italiano contém 20 componentes no total

12 ingredientes (a água não foi considerada ingrediente): carne suína, gordura suína, leite em pó, toucinho, sal, água, fibra de colágeno, vinho branco, pimentas preta e branca, açúcar, condimentos, e extrato de alecrim.

8 aditivos:
1 acidulante: glucona-delta-lactona (INS 575).
1 realçador de sabor: glutamato monossódico (INS 621).
1 aroma: de fumaça e natural (o aroma natural foi desconsiderado na contagem dos componentes).
3 estabilizantes: pirofosfato dissódico (INS 450i), tripolifosfato de sódio (INS 451i) e polifosfato de sódio (INS 452i).
1 antioxidante: eritorbato de sódio (INS 316).
1 conservante: nitrato de sódio (INS 251).

O salame Tipo Salaminho contém 15 componentes no total

8 ingredientes: carne suína, toucinho, leite em pó, sal, vinho branco, pimentas preta e branca, açúcar, e condimentos naturais.

7 aditivos:
1 acidulante: glucona-delta-lactona (INS 575).
3 estabilizantes: pirofosfato dissódico (INS 450i), tripolifosfato de sódio (INS 451i) e polifosfato de sódio (INS 452i).
1 antioxidante: eritorbato de sódio (INS 316).
1 conservante: nitrato de sódio (INS 251).
1 aroma: de fumaça.

Para os celíacos:
Glúten? Não

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A Escultura

Esta charge foi recebida por e-mail e não continha referência. Desta forma, não temos a quem atribuir os créditos pela brilhante idéia.

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