Gabriel Renner – Blog “Os diaristas” – RBS / Zero Hora – 12 de março de 2010.
Nome da tirinha: 3 Gerações
Gabriel Renner – Blog “Os diaristas” – RBS / Zero Hora – 12 de março de 2010.
Nome da tirinha: 3 Gerações
Mídia – Revista Carta Capital – Edição 602, de 30 de junho de 2010.
Coluna – Idéias / Saúde
Autor – Dráuzio Varella
Título – Mito derrubado
Subtítulo – Estudo comprova que dietas pobres em carboidratos e ricas em gorduras e proteínas não aumentam os riscos de doenças cardíacas.
O colunista relata, de forma muito interessante, como costumam ser os textos de Dráuzio Varella, que numa continuidade de um famoso estudo norte-americano denominado Nurse’s Health Study, epidemiologistas da Universidade de Harvard e da Universidade da Califórnia concluíram que dietas pobres em carboidratos e ricas em gorduras e proteínas não aumentam o risco de doenças cardíacas.
O texto, que pode ser acessado aqui, trouxe alguns questionamentos:
1. Por que o termo “colesterol”, relevante em uma dieta como a descrita no subtítulo do artigo, ficou escondido no meio do texto?
2. Quando isso chegará ao consultório dos nossos médicos e às escolas que os formam?
3. E ao conhecimento (e entendimento) dos nossos nutricionistas?
4. O que fazer com a montanha de produtos ligth, diet e similares disponíveis no mercado?
Mesmo com estes questionamentos, e haveriam muitos outros, é um bom começo. Obrigado, Dráusio e Carta Capital.
Endereço: donmatesz.blogspot.com
Comentários:
É um site muito interessante que defende uma alimentação baseada naquela que acompanhou toda a evolução humana (antecessora da agricultura).
Tradução dos textos de introdução deste blog:
“Neste blog eu exploro comida, exercícios, farmácia, liberdade e filosofia, usando o paradigma evolutivo. Conhecimento Elementar diz respeito ao conhecimento acumulado por nossos ancestrais da era pré-agricultura, bem como ao conhecimento intuitivo embutido no organismo humano moderno através dos milhões de anos do processo evolutivo”.
Conhecimento Elementar em poucas palavras:
Coma:
1. Carne, galinha, peixe, ovos e qualquer gordura animal natural.
2. Vegetais, inclusive folhas, hastes, bulbos e raízes.
3. Frutas (incluindo abacate e azeitonas).
4. Nozes e amêndoas, incluindo noz pecam, coco, castanhas, …
5. Ervas e especiarias.
Evite / reduza (em ordem de importância):
1. Adoçadores, incluindo açúcar (branco, mascavo, orgânico ou qualquer outro), xarope de bordo, xarope de açúcar etc.
2. Óleos vegetais, com exceção de azeite de oliva extra-virgem, óleo de abacate, óleo de palma ou de côco.
3. Grãos de cereais e seus derivados (pães, macarrões, bolos, etc).
4. Legumes (grãos e vagens, incluindo soja e amendoim).
5. Laticínios.
Endereço: www.canibaisereis.com
Comentários:
Trata-se de um site de Portugal com muito conteúdo e com temas e abordagens muito interessantes. Um problema, como eles mesmos comentam, é que há uma quantidade muito grande de textos em inglês.
Os textos são muito variados, abrangendo grande gama de assuntos, mas todos focados na alimentação, exercícios e saúde.
Os mais de 2000 textos publicados (supondo não haver textos em duas ou mais categorias) estão divididos nas categorias Saúde, Primitivos, Dieta, Mitos, Ciência, Civilização etc.
O site defende, como nós, uma alimentação o mais primitiva possível, ataca os engodos da indústria dos alimentos, apoiada pela mídia, além de apresentar um enfoque na parte física: corrida, treinos e força.
Vale mesmo uma visita.
Do campo ao nosso estômago, os alimentos passam por etapas que vêm aumentando em quantidade e complexidade ao longo do tempo.
Muito remotamente, estas etapas eram muito simples, pois vivíamos junto aos alimentos. Caçávamos ou colhíamos e comíamos. Simples assim.
Se a comida escasseava, mudávamos para onde houvesse mais abundância. Se não achássemos, passávamos fome. Com a continuação do azar, morríamos uns, outros mais afortunados ou adaptados sobreviviam.
Cerca de 10 mil anos atrás inventamos a agricultura e, com ela, ficamos geograficamente mais fixos, abandonando a vida nômade.
Em termos da história evolutiva do homem, a agricultura foi inventada ontem. Ou seja, toda a nossa evolução, nosso cérebro, nossa capacidade de raciocínio, nosso sistema digestivo, aparelho respiratório, enfim tudo aquilo que nós somos e que nos diferencia dos demais animais foi formado antes da implantação da agricultura. Caçando, colhendo e comendo. Eventualmente usando o fogo, mas jamais plantando ou processando alimentos.
Ao desenvolvemos a capacidade de identificar sementes, cavar buracos e plantá-las, deixamos de depender daquilo que encontrávamos e pudemos direcionar o alimento na direção daquilo que mais nos agradava.
Fazendo uma mudança brusca daquela época para os dias de hoje, temos a maior parte de nós morando em cidades, totalmente dependentes de alguém que crie animais e plante vegetais e os enviem, processados ou não, para as cidades.
Esta separação entre quem cria e planta e quem consome direcionou as escolhas de quais plantas e animais plantar ou criar em função da otimização da rentabilidade em detrimento de qualquer outro critério, seja ambiental ou de saúde. Atualmente até alterações genéticas são feitas nos alimentos visando, só e exclusivamente, à rentabilidade.
Esta rentabilidade, que dá mais lucro às empresas da cadeia alimentar, também beneficia o consumidor, porque lhe entrega alimentos mais baratos. Ou seja, teoricamente é boa para todos.
Vejamos o que significa esta rentabilidade que, em princípio, é boa para todos:
Estamos no seguinte ponto: ninguém se preocupou em selecionar um milho (ou várias variedades de milho) em função da qualidade ou da quantidade de nutrientes. A preocupação foi de obter a maior quantidade possível de milho no menor espaço físico e no menor intervalo de tempo. Supor que não há perdas nutricionais é simplificar demais a questão. No mínimo houve a perda da variedade. Diferentes tipos de milho tinham diferentes características nutricionais. Hoje estamos restritos a poucas variedades. A outra perda é que um milho (assim como a maioria dos vegetais) que está sujeito a pragas, aciona seus mecanismos de defesa os quais, em muitos casos, são parte integrante do conteúdo nutricional do milho, logo eram parte da nossa dieta. Hoje não mais. Adicionalmente, há o risco de resíduos de agrotóxicos. Ou seja, o milho que vem sem algumas coisas que nos faziam bem agora pode vir com coisas que nos fazem mal.
Como se não bastassem estas perdas citadas até aqui, e que ocorrem só na primeira fase da indústria da alimentação, ou seja, no campo, temos as fases seguintes, para as quais o milho acaba não sendo o melhor, ou pelo menos o mais drástico, exemplo (a soja seria exemplo muito melhor), mas serve.
Vamos escolher 4 maneiras de consumir este milho:
Mas voltando à raiz do tema, que eram os direcionadores da indústria alimentícia, a busca da lucratividade leva à necessidade de aumentar a vida útil dos produtos assim que eles saem do campo. Para tanto, o procedimento mais comum é a industrialização. Conservas, salgas e processamento costumam ser úteis nesta etapa. Porém, modernos processos foram criados e introduzidos. Um deles, já um tanto comum em frutas e carnes é a radiação. Sim, o mesmo processo usado na medicina (Raios-X) e usado em guerras ou ameaças delas (bombas atômicas) é também aplicado sobre inocentes moranguinhos.
Os órgãos fiscalizadores garantem que a radiação residual é inofensiva aos humanos. Suponhamos que seja, mas será que o processo não degrada nutrientes interessantes da fruta?
Nossa cultura, e boa parte do nosso conhecimento e pesquisa, se baseiam apenas nos macro-nutrientes, nas malditas calorias, na tal de gordura animal assassina e na aparência externa dos alimentos. Lindos morangos vermelhos + chantily = huuummmmm!!!!
Outro método comum de prolongar a vida útil dos alimentos é transformá-los em pó. Fazemos isso com a farinha, o café, o açúcar, o leite e até com ovos. Em alguns casos o produto ainda é concentrado, para baratear o frete.
Este processo, por si só, não merece condenação. Um bom exemplo é o caso do café. Quase nada é perdido, nada é acrescentado (ou não deveria ser). Mas em outros casos o processo é nefasto, como no caso da farinha de trigo branca, de onde se tira o que ela tem de melhor para evitar que rance e possa durar mais. Mesmo repondo o ferro (ácido fólico), falta muito para ser uma farinha integral. Mesmo que se reintegre o farelo de trigo (como na quase totalidade dos falsos produtos – pães, bolachas, … – integrais disponíveis nos supermercados e padarias), ainda estamos longe do alimento integral. No caso do leite, a coisa piora mais ainda, porque se o leite em pó for integral, o processo de pulverização oxida a gordura do mesmo, transformando-o em um produto prejudicial ao organismo.
Se com tudo que foi descrito até aqui ainda sobrou alguma coisa aproveitável nos alimentos, e sobrou, senão não estaríamos aqui para escrever ou ler sobre isso, há uma outra etapa na industrialização que tenta terminar com o que ainda pode ter sobrado de aproveitável no alimento.
Se nos falta tempo ou se somos preguiçosos, eu não sei, mas que adoramos comidinhas fáceis de preparar (viva o miojo) ou, de preferência, já prontas. E sabendo disso, a indústria, sempre pronta a atender nossos mais profundos anseios (os que não temos, fiquem tranqüilos, ela cria) resolveu facilitar a nossa vida e nos oferece semi-prontos e prontos, com preços até mesmo acessíveis em muitos casos.
A indústria sabe também que somos muito exigentes. Não aceitamos variações de qualidade, de cor nem sabor. Queremos tudo muito padronizado (a la MacDonalds). Como as matérias primas de origem são (ainda) obtidas por meio da natureza, fica difícil fornecer um leite sempre com a mesma cor e o mesmo teor de gordura. Logo o jeito é separar os componentes e depois rejuntá-los nas proporções adequadas. É por isso que os achocolatados vendidos em caixinhas não são feitos com leite e cacau. Eles são feitos com leite em pó, soro de leite em pó, cacau em pó, além de uma dezena de produtos para espessar, conservar, estabilizar, …
Certamente este assunto da aplicação de técnicas de engenharia aos alimentos será tema de muitas abordagens futuras. Aqui daremos uma pequena mostra com um exemplo bem simples: é praticamente impossível encontrarmos, hoje em dia, um salame que não tenha leite em pó em sua composição. Sabe-se lá o que faz o leite em pó em um salame, mas ele está lá, leia o rótulo.
Também é muito difícil encontrar um alimento industrializado que não contenha glutamato monossódico na sua composição, apesar de todos os problemas que este produto causa o organismo, ele tem seu uso autorizado pelos órgãos competentes. Este assunto será tema de discussões futuras e também é bem discutido em um dos livros que serão referenciados.
Resumindo, visando baratear os custos para auferir mais lucros, a indústria da alimentação, do campo à mesa, vem cada vez crescendo mais, ganhando mais, nos envenenando mais e nos nutrindo menos.
O lado bom, que seria a disponibilidade de alimentos mais baratos, é desmascarado pelo fato de que estes alimentos, por serem cada vez menos nutritivos, levam a um consumo individual cada vez maior, gerando uma crise de obesidade e saúde de níveis epidêmicos. O lucro da indústria se transforma em ônus social, coberto pelo Estado ou pelos planos de saúde.
E finalmente, a alegação de acabar com a fome mundial, através de adubos químicos, agrotóxicos e, mais recentemente, através dos transgênicos, não se sustenta, uma vez que o mundo produz mais alimentos do que o que seria necessário para alimentar todos os habitantes do planeta e, no entanto, continuamos a ter gente morrendo de fome em quantidades maiores do que nunca na história humana.