Vida Saudável

Oliveira – Blog “Os Diaristas” – RBS / Zero Hora – 16 de julho de 2010.

Nome da tirinha: Tinga Hip hop


Publicado em Humor e Quadrinhos | Com a tag , | Deixe um comentário

Livro: Ecologia Celular

O livro Ecologia Celular – O Papel da Alimentação e do Meio Ambiente no Envelhecimento e na Longevidade, de autoria do médico Carlos Braghini Júnior foi lançado em 2008 e tem conteúdo de valor inestimável para quem deseja melhorar sua saúde através de mudanças na sua relação com o alimento e com o ambiente.

O autor divide o livro em quatro partes:

  • Na primeira aborda o conceito de ecologia celular – o corpo como um ecossistema vivo resultante da interação interna da comunidade de células de que é composto e desta com o meio ambiente.
  • Na segunda parte trata da importância que a alimentação representa para este ecossistema.
  • A terceira fala de metabolismo e mostra a relação das doenças, do envelhecimento e da longevidade com aquilo que comemos ou que deixamos de comer. Isso pode levar o leitor a “rever vários conceitos equivocados, como o de que o colesterol é responsável pelas doenças cardíacas ou que a soja é saudável”.
  • A última parte apresenta uma proposta de planejamento alimentar em três níveis: iniciante, intermediário e avançado.

A primeira parte do livro é um pouco árida para o leigo, apesar do esforço do autor em utilizar uma linguagem acessível. Mesmo assim, vale a pena o esforço de ler para quem quer efetivamente criar uma compreensão (algo bem acima de uma aceitação) das idéias apresentadas no livro.

Se você levar a sério esta primeira parte, principalmente por volta da página 32, onde o autor narra a carga de venenos (como o flúor da pasta de dentes) e alimentos inadequados (como leite desnatado) a que nos submetemos numa simples manhã, antes mesmo de sair de casa, é possível que você peça para que parem o planeta para você descer, por não ver solução.

O livro estabelece uma diferença interessante entre alimento e produto alimentício. Se algo estiver em bancadas ou espalhado em grandes caixas de um supermercado, tem boas chances de ser um alimento, mas quanto mais embalagens, pacotes, e organização houver nas prateleiras, maiores as chances de ser um produto alimentício. Evite estes últimos.

O ponto principal na virada da dieta alimentar ocidental, segundo o livro, estaria em um comitê criado pelo senado norte-americano, formado para analisar a alimentação daquele país e que foi coordenado pelo senador George McGovern. Na negociação política de elaboração da versão final do relatório, a recomendação de reduzir o consumo de carnes vermelhas e laticínios recebeu forte reprovação da bancada ruralista e foi reformulada para “como carnes magras, aves e peixes para diminuir a ingestão de gorduras saturadas”.

O autor lembra que quanto mais se come aquilo que a ciência tem orientado, mais as pessoas têm engordado. E dá as seguintes orientações ao final da segunda parte do livro:

  • Coma comida, evitando produtos alimentícios.
  • Evite os produtos que se dizem saudáveis.
  • Evite produtos com muitos ingredientes, ou que sejam desconhecidos ou de difícil pronúncia.
  • No supermercado, fuja das prateleiras das caixinhas.
  • Pague mais, alimentos mais saudáveis, orgânicos ou menos processados custam mais caro.
  • Coma menos. Há relação entre menor ingestão de alimentos e maior longevidade.
  • Coma vegetais, principalmente folhas.
  • Resgate o padrão cultural do ato de “se alimentar” em vez de “comer”.
  • Cozinhe e plante. É mais fácil de saber o que você está ingerindo.
  • Coma como um onívoro: diversifique seu cardápio.

Braghini começa a terceira parte do livro citando o dentista Weston Price, que será objeto de longa referência futura em nosso site, e a conclusão deste quanto à relação entre a má nutrição e as cáries e deformidades nos dentes.

Cita a forte influência que a alimentação exerce sobre a forma como os genes do indivíduo vão se expressar na constituição do seu corpo e, por extensão, de sua saúde presente e futura. Fala bastante na deterioração da qualidade dos alimentos processados e nas vantagens nutricionais de alimentos orgânicos, de carnes de animais de pasto.

Para quem deseja se aprofundar, há textos acessíveis sobre a forte dependência que nossas células têm do equilíbrio com o meio em que estão imersas (matriz extracelular ou mesênquima). O autor destaca também o papel de diversos nutrientes que ingerimos na interação celular e fala sobre o mito do colesterol, com ênfase no papel nefasto que as estatinas (termo genérico para os medicamentos prescritos para baixar o colesterol) provocam na saúde das pessoas.

Ainda na parte 3 do livro, há excelentes textos sobre a relação açúcar X insulina X longevidade, sobre exercícios físicos, sobre as gorduras e seu metabolismo, suficientes para quem quer entender e não apenas aceitar os danos que nossa alimentação moderna está causando à nossa saúde.

A última parte do livro é dedicada a um planejamento nutricional que o autor divide em três estágios: iniciante, intermediário e avançado. Mesmo focando nas sugestões de o que comer e o que reduzir, esta parte é densa de conteúdo e explicações sobre o que comer e o que não comer, com os respectivos porque sim e porque não. Uma ressalva, sempre há que ter uma, se refere à recomendação de uso de suplementos feita pelo autor e que do nosso ponto de vista deve ser evitada ou, no mínimo, deve ser transitória.

No fim do livro, o autor recomenda evitar o flúor, mesmo o da pasta de dentes, parar de fumar, abandonar o microondas, trocar forno a gás por elétrico, fugir do alumínio tanto na cozinha quanto nos desodorantes, não utilizar panelas com antiaderentes, reduzir nossa exposição aos campos magnéticos, armazenar alimentos em vidro, para fugir do Bisfenol-A (BPA), não tomar café em copos de plástico, sem falar no potencial agressivo dos nossos produtos de higiene e limpeza. Ou seja, aquela sensação de querer trocar de planeta que sentimos de forma leve ao ler a primeira parte, volta agora com força total no finalzinho do livro.

A última página do livro tem como subtítulo “Não desanime”. Pertinente, uma vez que depois de ler sobre tudo o que é abordado no livro, resta uma sensação de inadequação absolutamente paradoxal entre o nosso atual estilo de vida e a própria vida.

O autor mantém o site Ecologia Celular.

Publicado em Livros | Com a tag , , , , , | 6 Comentários

Os aditivos dos McNuggets e a PROTESTE

Mídia – Revista da PROTESTE (*) – número 95, setembro de 2010.

Coluna – Curtas e Rápidas

Como associado, recebo mensalmente a revista editada e distribuída pela PROTESTE (*) aos seus associados. Na edição em referência, consta, na página 12, um texto com o título Os aditivos dos McNuggets – Não há motivos para alarde com os aditivos à base de petróleo”. Como se trata de uma associação independente e normalmente rígida com a quantidade e a qualidade de aditivos nos alimentos, usando normas estrangeiras como parâmetro quando as normas brasileiras são pouco rígidas, isentar aditivos à base de petróleo chama a atenção.

O texto fala (ver quadro abaixo, recortado do site da PROTESTE, com teor e visual idênticos ao da revista física) que a rede CNN denunciou a existência de aditivos à base de petróleo nos nuggets produzidos pelo Mc Donalds. A cadeia de lanchonetes confirmou o uso de TBHQ e de Dimetilpolissiloxano nos nuggets. A PROTESTE foi buscar informações e concluiu que estes são aditivos liberados para uso e regulamentados em todo o mundo. O texto acrescenta que há estudos relacionando estes aditivos ao câncer, mas só quando consumidos em altas doses, e sugere que quem deseja uma alimentação o mais isenta possível de aditivos, deve dar preferência a alimentos frescos.

Até este ponto, mesmo não sendo muito agradável saber que estamos comendo derivados de petróleo, e sem levar em consideração todo o resto relativo a um nugget, o texto passou. Porém no verso da revista, onde há uma breve mostra do conteúdo exclusivo para associados no site da PROTESTE, há uma chamada “Aditivos alimentares: conheça melhor o que você come.”

Por curiosidade, pesquisamos no site o aditivo “Dimetilpolissiloxano” e encontramos a resposta que está a figura abaixo.

Ou seja, a própria PROTESTE não recomenda o aditivo que isentou no texto referente ao Mc Donalds.

Sem querer questionar a honestidade e isenção da PROTESTE, não parece ser o caso, o assunto chama a atenção para a força que as empresas têm junto aos órgãos reguladores e à mídia, chegando até mesmo a confundir associações isentas. É um lobby muito poderoso que permeia, desinforma e confunde.

Formalizamos um questionamento no site da PROTESTE sobre esta, em princípio, contradição e disponibilizaremos a resposta quando for recebida.

Adicionalmente, os nuggets (de supermercado) serão objeto futuro de comentários para a nossa categoria “Produtos e Ingredientes”. Mas desde já adiantamos: nenhum tipo de nuggets é comida. Fuja deles. Além de derivados de petróleo, contêm carne de frango criado preso e comendo ração, o que não é comida de galinha, além de inúmeros outros aditivos.

Se você ainda está na dúvida, leia a página 89 do livro Ecologia Celular, de Carlos Braghini Jr, onde ele disseca os nuggets. Destacamos este trecho: ... mas o ingrediente mais alarmante é a butil-hidroquinona, ou TBHQ, um antioxidante derivado de petróleo (cuja ingestão de meros 5 gramas pode provocar a morte), que as autoridades sanitárias permitem que a indústria borrife diretamente sobre o nugget ou no interior de sua embalagem para “ajudar a preservar o seu frescor”.

Tanto no quesito alimentação quanto no saúde, as referências adotadas pela PROTESTE não se encaixam nos conceitos do nosso site. Muito embora eles defendam o direito do consumidor à informação nos rótulos, à redução de aditivos nos alimentos e alguns poucos tópicos a mais de similaridade, o restante (a parte principal) do conceito adotado pela associação é o convencional engordativo: cuidar das calorias, do colesterol, fugir das gorduras saturadas etc.

(*) A PROTESTE é uma associação de defesa do consumidor, que orienta e defende os direitos de seus associados, realiza testes com os mais diversos produtos e também dá orientações econômicas e de saúde. Publica uma revista mensal que é distribuída aos seus associados. A associação é independente e vive das anuidades pagas por seus associados.
Publicado em Mídia | Com a tag , , , | 2 Comentários

Alimentação e Meio Ambiente

Erlich – Jornal “El País” – Espanha – 18 de dezembro de 2009.


Publicado em Humor e Quadrinhos | Com a tag , | Deixe um comentário

Macarrão Maggi – Tiraram a gema do ovo

É um produto típico destes que se destina a facilitar a vida das pessoas: preparo rápido, sem necessidade de agregar nada trabalhoso (água e manteiga) e, pelo que diz a receita, sem necessidade de escorrer a água (pelo que o modo de preparar dá a entender, o molho já vem disperso no macarrão).

Nos ingredientes, algumas duplicidades típicas deste tipo de produto, como tomate e condimento preparado sabor tomate ou ainda gordura de bacon e condimento preparado sabor bacon, dão a entender que o sabor natural das coisas nunca é o suficiente. Como se não bastasse, contém o onipresente glutamato monossódico.

Enfim, apesar de o produto sugerir manteiga na água do macarrão (o que é muito melhor que sugerir margarina) e conter, no molho, ingredientes que agradam (como o torresmo, a gordura do bacon, o tomate, alho, manjericão e orégano), o produto contém muitas coisas que consideramos desnecessárias como maltodextrina e amido, além de conter outras que consideramos prejudiciais, como o açúcar, a farinha refinada e o glutamato.

Ou seja, não é uma comida, é um produto alimentício. Fuja dele.

Adicionalmente, chama a atenção o macarrão ser feito de farinha e albumina de ovo. Tiraram a gema do ovo para fazer o que com ela? Tadinha.

Ficha do Produto e Ingredientes

Nome Comercial: Maggi – Hoje eu quero – Pasta ao Molho de Tomate e Bacon.

Fabricante: Nestlé Brasil Ltda.

Aquisição: Aracaju – março de 2010.

Distância rodoviária da fabricação à aquisição: 2.029 Km (fabricado em São José do Rio Pardo / SP).

O Macarrão Maggi contém 21 componentes no total

(23 se contados o ferro e o ácido fólico adicionados à farinha branca)

14 ingredientes:

2 no macarrão: farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico e albumina de ovo.

12 no molho: maltodextrina, amido, torresmo, tomate, gordura de bacon, açúcar, condimento preparado sabor bacon, alho, sal, condimento preparado sabor tomate, manjericão, e orégano.

7 aditivos:

2 realçadores de sabor – glutamado monossódico e inosinato dissódico.

4 corantes – páprica e caramelo (no molho) e urucum e cúrcuma(no macarrão).

1 acidulante – ácido cítrico.

Contém glúten?  SIM.

Comentários adicionais:

A quantidade de componentes real deste produto tende a ser maior, uma vez que não é discriminado o que contêm os dois “condimentos preparados” da lista de ingredientes. Além disso, ele contém traços de leite, aipo e mostarda.

**************

Ingredientes, deste mesmo produto, obtidos no site da Nestlé (destacados em vermelho aqueles que não constam no rótulo do produto descrito acima):

Macarrão (farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, albumina de ovo e corantes naturais urucum e cúrcuma), maltodextrina, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, torresmo, açúcar, gordura de bacon, tomate, condimento, sal, alho, manjericão, orégano, realçadores de sabor glutamato monossódico e inosinato dissódico, corantes natural páprica e caramelo, aromatizante e acidulante ácido cítrico. Contém Glúten. Contém leite e soja. Contém traços de aipo e mostarda.

Publicado em Produtos e Ingredientes | Com a tag , , , , | 2 Comentários