Site Come-se

Endereço http://come-se.blogspot.com/

Comentários:

Este blogue é conduzido por Neide Rigo, uma nutricionista de São Paulo. O conteúdo, postado e potencial, é mais ou menos o seguinte: se algo é passível de ser comido, então é passível de ser postado.

Não é um site recomendado para quem quer seguir uma dieta primitiva ou próxima, como propomos, uma vez que as receitas sugeridas usam muitos ingredientes desaconselháveis, notadamente o açúcar.

Entretanto, a valorização que o blogue dá à diversidade alimentar, à fuga da comida industrializada, ao retorno aos princípios rurais ou seus equivalentes, ao olhar atento à natureza e à convivência com os outros através do alimento, merecem uma visita e um link na nossa página.

Particularmente recomendamos a leitura do texto “Galinha de cabo a rabo”. Lembrando que se você for usar alguma das inúmeras receitas sugeridas, a galinha deve ser caipira ou de capoeira.

Através deste blogue descobri que ainda se produz e se vende “carne de lata”, no termo usado pela Neide, e que na minha cidade chamavam de “rijões”, e que nada mais é do que pedaços de carne de porco cozidas na própria gordura (banha) do porco e nela conservados. A carne tem um sabor delicioso e adquire aquele tom rosado de toda carne cozida na gordura do próprio animal, como é o caso de um prato consagrado da cozinha francesa, o magret confit, ou seja, o peito do pato cozido em gordura de pato.

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Citação: Câncer Latente

Todos temos um câncer dormindo em nós. Como todo organismo vivo, nosso corpo fabrica células defeituosas permanentemente. É assim que nascem os tumores. Mas nosso corpo é também equipado com múltiplos mecanismos que lhe permitem detectá-los e contê-los.

Fonte: Livro Anticâncer – David Servan-Schreiber, pág.13. (A citação aparece em um contexto em que a alimentação é fator chave na capacidade de o corpo detectar e conter os tumores.)

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Sopa Vono – Mais Sal e mais Açúcar do que Carne

Se o fabricante obedeceu à norma da ANVISA com relação a colocar os ingredientes em ordem decrescente de quantidade, a sopa Vono – Abóbora com Carne Desfiada tem mais sal, açúcar, gordura vegetal e creme de leite em pó do que carne. Um nome mais adequado seria Vono – Batata e Abóbora com Gordura Vegetal, Sal e Açúcar. No envelope do produto, o fabricante apregoa que “… transformamos ingredientes selecionados em uma sopa de sabor natural, com saborosos pedaços de carne desfiada envoltos por uma deliciosa …”

Se já estávamos surpreendidos com a existência de “soro de leite em pó”, o rótulo da sopa Vono surpreendeu mais ainda, pois descobrimos que existe “creme de leite em pó”.

Ficha do Produto e Ingredientes

Nome Comercial: Vono – Sopa Individual – Abóbora com carne desfiada.


Fabricante: Ajinomoto Interamericana Ind. e Com. LTDA.

Aquisição: fevereiro de 2010.

Distância rodoviária da fabricação à aquisição: 2.151 Km (fabricado em Limeira / SP).

A Sopa Vono contém 24 componentes no total

(Sem considerar o que pode ter no “composto lácteo com gordura vegetal”, nem no “condimento preparado sabor queijo”.)

18 ingredientes: maltodextrina, purê de batata, fécula de batata, composto lácteo com gordura vegetal, abóbora, sal, açúcar, gordura vegetal, creme de leite em pó, carne bovina, cebola, extrato de carne, condimento preparado sabor queijo, cúrcuma, extrato de levedura, salsa, alho porró e páprica.

6 aditivos: 2 realçadores de sabor – glutamato monossódico e inosinato dissódico; 1 espessante – goma guar; aromatizantes – a palavra aparece no plural, mas o rótulo não cita quantos nem quais; e 2 corantes naturais – ácido carmínico e caramelo IV.

Contém Glúten? Sim.

Contém gorduras trans? Não.

Quanto de sódio? 573 mg.

Comentários adicionais:

Vinte e quatro ingredientes em um envelope de 20 gramas, glutamato monossódico, mais sal e açúcar do que carne. Precisa comentar que isso não é comida? Se você vem lendo os textos sobre Produtos e Ingredientes, deve ter percebido que nos vendem um monte de porcarias sob o pretexto da praticidade. Ou, em bom português, exploram nossa preguiça.

Lembrando que os ingredientes devem aparecer em ordem decrescente de quantidade, leia de novo a lista. Ela contém o que seu corpo realmente ingere ao tomar uma sopa Vono. Agora olhe abaixo e veja o que os seus olhos lhe induziram a comprar.

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Comida Rápida

Grabiel Renner – Blog “Os diaristas” – RBS / Zero Hora – 9 de agosto de 2010.

Nome da tirinha: 3 Gerações


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Livro: O Dilema do Onívoro

Com o subtítulo “Uma história natural de quatro refeições”, O Dilema do Onívoro constitui uma excelente obra de Michael Pollan publicada em 2006 e lançada no Brasil pela editora Intrínseca.

Na introdução, o autor comenta que a resposta a uma simples pergunta como “O que devemos comer no almoço?” se tornou tão complexa a ponto de necessitar da ajuda de especialistas. Este é um ponto de vista que foi bastante explicitado no nosso texto Quando foi que DESAPRENDEMOS.

Enquanto onívoro, o ser humano sempre enfrentou este tipo de dilema: não foi aquele cogumelo que me fez mal na semana passada?  Como peixe do mar ou criado em tanques?

O autor conclui a introdução assim (o trecho em destaque é nosso): “Muita gente hoje parece totalmente satisfeita comendo na extremidade da cadeia alimentar industrial sem parar para pensar no assunto; provavelmente este livro não foi feito para essas pessoas. Há nele coisas que vão estragar seus apetites. Mas este é, em última análise, um livro sobre o prazer de comer, os tipos de prazer que, à medida que são conhecidos por nós, só tendem a se aprofundar.”

Ao longo de cinco anos, o autor viajou pelos Estados Unidos visando escrever este livro. Visitou fazendas industriais e agricultores alternativos, pilotou tratores, caçou cogumelos selvagens e abateu um porco numa floresta, gerando dados, fatos e reflexões que culminam em quatro refeições, devidamente acompanhadas de reflexões éticas e ecológicas. É praticamente impossível não refletir junto.

A primeira das refeições é a industrial, o autor começa pela descrição de um supermercado moderno para em seguida fazer a apologia do milho. Principalmente na dieta norte-americana, o milho aparece como um elemento disfarçado, mas onipresente, seja no Big Mac, seja na Coca-Cola.

Michael Pollan acompanha um bezerro, comprado no mercado de capitais, desde a fazenda onde nasceu até aquela em que ele foi confinado para engorda, passando uma das fazendas onde, possivelmente, foi plantado o milho que engordaria seu novilho. Vale a pena ler a parte em que ele relata o absurdo consumo de combustível necessário para produzir o milho, transportá-lo e fazer girar toda a engrenagem que transforma sol e petróleo em carne. O petróleo não é só consumido no transporte ou nos tratores: o principal nutriente adicionado à terra onde se planta milho advém do gás natural.

A caracterização da refeição industrial escolhida por ele foi comprada no McDonald’s e comida em um carro em movimento. O autor afirma que hoje 19% das refeições americanas são comidas em um carro. Ele conclui ainda que é possível que a refeição tenha consumido uma média de 900 gramas de milho por pessoa, considerando o milho comido pelo gado de cuja carne se fez o hambúrguer, da galinha que forneceu a carne para os nuggets, além do milho que gerou o xarope de milho que adoça os refrigerantes e do milho que gerou diversos dos aditivos usados nos produtos daquela refeição. Não computado aí o milho que gerou o etanol consumido pelo automóvel enquanto eles comiam.

A segunda refeição consistiu em comer comida orgânica, mas da cadeia industrial. O meio empresarial não podia deixar de ocupar o nicho criado com a demanda por orgânicos. O que no Brasil ainda é incipiente, mas cresce a passos largos, nos estados unidos é uma indústria estabelecida, e do jeito que eles gostam: duas únicas empresas praticamente dominam o setor de orgânicos dos supermercados. Mas voltando à refeição, ela consistiu em um prato pronto, aquecido no microondas e que foi descrita como “Para sermos justos, uma refeição pronta orgânica não deveria ser comparada a uma refeição de verdade, mas sim a uma refeição pronta convencional.” À noite ele preparou em casa uma refeição com produtos orgânicos de escala industrial. O resultado foi bem melhor em termos de sabor. Entretanto, o autor relata que o orgânico industrial é, na verdade, quase a mesma coisa do industrial puro, a menos do não uso de agrotóxicos: a carne e o leite vêm de gado que comeu milho, só que orgânico. Ou seja, a pobreza nutricional se repete. Já em alguns produtos vegetais, como verduras e tomates, ele encontrou-os mais saborosos que os convencionais.

Na terceira refeição, Michael Pollan visita uma fazenda, e trabalha nela por uma semana. É uma fazenda que busca trabalhar de forma harmônica criando gado, galinhas, perus, coelhos, porcos além de produzir ovos, tomates, milho verde, morangos e amoras. O fazendeiro que o recebe se intitula um criador de capim, o resto é com os animais. Na verdade ele cria um pasto natural, em que um metro quadrado tem dezenas de variedades de capins e, por baixo, um número maior ainda de bichinhos cavadores, bactérias e fungos.

A refeição foi feita com uma galinha (de cujo abate o autor participara, não sem alguma reflexão posterior) em pedaços, temperada e preparada na grelha, milho assado e salada de rúcula. Os participantes da refeição foram unânimes em afirmar que a comida tinha um sabor mais intenso, que a galinha era “mais galinha”. Adicionalmente, o autor descreve estudos que comprovam as vantagens nutricionais de alimentos obtidos de forma mais natural, notadamente a relação entre os ácidos graxos ômega 3 / ômega 6.

A última refeição estava prevista para ser feita a partir de ingredientes que ele próprio tivesse caçado, coletado ou cultivado. E assim foi que, com ajuda de pessoas mais habilitadas nas lides de caçar e coletar, ele criou um cardápio com pernil e lombo de porco selvagem que ele mesmo caçou, cultivou o fermento biológico com o qual fez o pão, favas que ele plantou, fetuccine com cogumelos (morchellas) que ele colheu, torta com cerejas que “pegou emprestado” na vizinhança e outros ingredientes, tudo regado com vinho tinto feito por um amigo. Apesar do esforço físico e emocional, ou talvez por causa destes, o autor classificou esta como a refeição perfeita.

E conclui “Mas imaginem só por um momento se soubéssemos, como seria de se esperar, apenas essas poucas coisas banais: O que estamos comendo. De onde isso veio. Como chegou à nossa mesa. E quanto, numa avaliação realista, isso realmente custou.

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